2010 – Com meu pai Martinho para Espanha, Qatar e Inglaterra

Querido amigo e amiga, salve!
Se tu quiseres ler a sequência deste relato, favor iniciar de baixo para cima.
Agradecido e boa leitura.

Manoel

Obs. Desculpa os erros de digitação e a falta de acentos.
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25 – (24/02/10) Londres – Criciúma
Acordei antes das 8h para escrever o nosso dia anterior, já que ontem so pude postar as fotos. Logo em seguida, puxada pelo Kevin, o pessoal da casa foi se acordando. Tomamos café e começamos a fechar as malas. Enquanto a Mag, Kenyo e Kevin foram dar uma volta, papai e ei ficamos em casa nos preparando para seguir viagem para o Brasil. Depois de estudar as possibilidades, enfim, conseguimos fechar as malas. Ma e a turma chegam e logo o Kenyo e o Alex, aquele que nos emprestou seu quarto, começaram a fazer o nosso almoço. Que honra. O cardapio? Picanha na chapa e camarão, com salada, arroz e feijão. Enquanto almoçavamos, aos poucos foi chegando gente: Dani, namorada do Alex, Mateus acordou meio gripado, e o outro morador do casa.

Kenyo e Alex peparam o nosso almoco
Kenyo e Alex peparam o nosso almoco

Depois do almoço, fomos pesar as malas para conferir que não pasassem dos 23 quilos permitidos. Depois, nos reunimos no corredor que fica na frente ao quarto do pessoal e o anfitrião começou a falar um pouco da sua história para entrar na Inglaterra. Ha seis anos foi barrado na imigração e, depois de rasgar a passagem de volta ao Brasil, acabou indo para França onde ficou por um mês comendo basicamente um pão por dia. Com os olhos mareados, o querido sobrinho Kenyo tem nos braços da sua companheira Mag o aconchego. “Depois disso já acolhemos tantos, já ajudamos tantos, ne amor?”, relembra a sobrinha.
Mag e eu fomos numa feirinha ali próximo comprar umas tomadas especiais para adaptar a noss tomada do Brasil e uns cadeados paa as novas malas, iniciamos a nossa viagem com duas malas e voltamos com o dobro delas. Ate papai se pesou e confimou que havia engordado mais de 3 quilos nestes dias de viagem pela europa.
Como fizemos nas nossas despedidas, antes de sair, a foto reunindo as pessoas que nos receberam.
Despedida: é hora de continuar viagem, agora para o Brasil
Deixamos a casa da Mag as 16h10, sem antes o Kenyo nos dar mais dois bonés cada um de presente, o meu, um branco de pagodeiro que ele usa nas apresentações. Ate o Alex presenteou o papai com um cachecol. Enfim o carinho foi sentido em todos, indistintamente. A namorada do Alex, Daniele, tirou a foto oficial de nossa partida na frente da casa, oficializando nosso ida para o Brasil. Aqui nos despedimos dos familiares, pois só a Lisa e a Mag nos levariam ate o aeroporto.
Antes de programarmos o GPS para Heatrout, o aeroporto internacional de Londres, a Mag foi abastecer o carro e perguntou para o papai se ele não queria comer e nem beber nada. Interessante que todos, indistintamente, se preocupavam com o papai, desde Tenerife, Doha e em Londres. Talvez seja por isso que papai engordou cerca de três quilos nestes 18 dias de viagem.
Da casa da Mag ate o aeroporto tem 30 quilômetros que, de acordo com o GPS, seria vencidos em 46 minutos. Na verdade, levamos duas horas e 15, ou seja, praticamente 15 km/hora. Mas o mais importante e que chegamos e com a Mag na “boleia”. Aqui chegamos um pouquinho mais cedo do horário, a ponto de retomar no VAT uma pequena quantidade de Euros pagos em forma de impostos. Mas a parte maior, já que comprei um notebook, só vou conseguir apos enviar carta para empresa vendedora e Londres que devera depositar no meu cartão de credito.
Papai puxa a mala na esteira do aeroporto de Londres
Lembro da despedida da Mag e da Lisa com seus olhos mareados; elas nos acompanharam ate quando entramos no portão de embarque. Puxa, uma experiência interessante, ser guiado por filhos, netos e netas, que bênção, pensei, ao olhar para papai. Quem dera possa alcançar esta graça com meus dois filhos Lucas e Vitor.
Como nos envolvemos no ressarcimento de impostos, só tivemos um tempinho para tomar um café e logo tivemos que embarcar. Nem passamos no free shop de Londres; ainda bem. Vai que papai inventa de comprar mais uma camisa? Sentados nas poltronas 29 “A” e “ B” o avião começou a iniciar o proceso de decolagem minutes antes das 22h, ou seja, quase uma hora depois do previsto. Ao meu lado, Tony, um engenheiro da Nova Zelândia que trabalha na Amazônia. Muuito parecido com Schuazneguer, ou seja, deste tamanho. Fiquei prensado entre papai e ele, mesmo assim, fizemos uma boa viagem. Mesmo que uma hora depois da decolagem papai ja reclamava de dores nas costas; ate tentei arrumar uma poltrona mais confortável, em vão.
A nossa esquerda, ja no Brasil, o sol nasce alegrando e esquentando a vida das pessoas. Inicialmente aquele alaranjado vistoso e depois aquela bola amarela traz conforto e alegria para os seres vivos.
Ao nosso lado esquerdo a vida nasce amarela e lindaEram 7h10 quando aterrissamos, 70 minutos de atraso. Devido ao setor de imigração, alfândega e malas (estas demoraram muito) acabamos perdendo o vôo da Tam das 7h30 para Floripa, sobrando a opção das 15h45. Entramos em contato com os familiares, informando a situação. Inclusive o compadre Edwin, em Floripa, onde deixamos o carro do papai.
Chegamos em Floripa às 17h e só conseguimos sair da cidade depois das 20h; parece que o sufoco não é só em Londres, na nossa capital também. Paramos na lanchonete Engenho para um lanchinho e logo nos deslocamos pra casa, onde chegamos cercas de 23h30. Estavamo nos esperando mamãe, Dada e meus filhos Lucas e Vitor. A Dorinha e sua turma havia cansado de esperar e se recolheram, pois no outro dia as crianças levantavam cedo. Conversamos um pouco e logo cada um seguiu o seu rumo: eu, segui para o Oikos e papai ficou em casa, no doce Lar. Depois de 18 dias, nos separamos. Fica a minha gratidão pela experiência e entrega. Valeu!
De volta ao começo

24 (23/02/10) Londres (Terca-feira)
Exceto aquele dia em Doha, onde acordamos mais cedo para ir a SeaLine, esta terça-feira foi o outro dia que acodamos cedo (cedo?) em nossa viagem: 7h50. Lá em baixo o nosso “Torinho” já era “toreado” pela Maguinha. Levantamos, tomamos café e saimos para o metrô, levados pela nossa anfitriã. Na rua, o vento frio denunciava que estavamos com cerca de cinco graus. Determinados, iamos ao encontro da Deize, Adam e Dani, pois passariamos o dia juntos. A Mag nos colocou praticamente dentro do metrô (underground) e lá fomos nos em direção a estação de Wimbledon.
Martinho no mais tradicional ponto de Londres, o underground (metrô)
Martinho no mais tradicional ponto de Londres, o underground (metrô)

Sentamos no metrô e aguardamos, pois nossa viagem era de quase uma hora. Tempo suficiente para peceber o corre corre das pessoas, a cara cizuda, o sono, a leitura dos jornais e livros. Tive tempo, inclusive, de ver anununcio do jogo entre o Brasil e a Irlanda na semana que vem aqui em Londres. Chegamos a estação e logo o telefone emprestado pela Mag toca e era a própria, perguntando se não tinhamos nos perdido. Outra vez toca, agora as meninas avisando que estava chegando. Como alugaram um carro, de acordo com elas “maior e mais confortavel” que o deles, tinham pegado trânsito. Logo chegaram. Foi uma alegria o reencontro. Em seguida nos colocamos em viaem, agora o nublado havia se transformado em chuva. Uma chuva fina, mas fria que só. Ainda bem que todo sociedade e oganizada para o frio. Papai levou as duas bolsas de chocolate de presente para as maninas e a Deize não aguantou, quietinha no seu banco de trás fazia barulho com a casca de plástico e com o seu “hummmm”.
Dede não aguentou foi so receber o chocolate e "esperimentar"
Dede não aguentou foi só receber o chocolate e experimentar

Seguimos alegremente a nossa jornada daquele dia, o Adam firme no volante, e nos quatro no tro-lo-lo. Falamos sobre nossos queridos parentes do Brasil, mas os dois assuntos principais eram a vó Gena e a “Mariquinha”, como papai chama a Isabel, bisneta mais nova do Brasil, pois aqui em Londres ele conheceu o Kevin e o Davi. As maninas compraram frutas, docinhos, suquinho, iogurte, enfim, tudo para o vô Martinho. Por aqui, todas as meninas – tanto as filhas do Teko quanto as da Dada – sempre preocupadas com a comidinha do velhinho. Também a Dani aproveitou pra tomar umas inforações sobre fotografia, já que tinha adquirido uma maquina Sony nova e estava toda boba. Queria até fazer um nu artistico do vô Martinho, mas, devido ao frio, a sessão de fotos foi cancelada. Dentro do carro era uma festa, gargalhadas (a Dani quase não da gargalhada), brincadeiras, piadas.
A bagunça no carro era grande; comida, bebida e outras estórias e história
A bagunca no carro era grande; comida, bebida e outras estorias e historias

Durante a nossa viagem, fizemos um pipi-break e logo em seguida nos colocalmos em direção a Stonerenge, um local mistico e misterioso onde uma civilizacao adorava o Deus Sol e fazia rituais de sacrificio pra proteção. Durante este trajeto a Deize tirou uma foto nossa do seu celular e enviou para a Dorinha, no Brasil. Que respondeu: “Adoro modernidade”.
Chegamos a Stonerenge as 13h numa temperatura de dois graus celsius. Este local eu já tinha mantido contado por intermedio de um livro e estava na minha prioridade de conhecer, mas, cofesso, nem me toquei disso quando aqui cheguei. Mas diante do convite da Dani, meus olhos saltaram e eu disse, sem consultar papai, “sim, quero ir”. Um dia desejei estar aqui e aqui estou eu. Que bom! Mais uma vez constato que a gente tem que tomar cuidado com o que desejamos, a gente pode conseguir, né? Incrivel que neste local lembei-me das minhas aventuras no Caminho das Missões, no Rio Grande do Sul, e de Machu Picchu, no Peru. Assim como no Peru, aqui também tentei tirar uma foto na porta de entrada. Eu ate tentei tirar uma foto em baixo das pedras, mas os vigias não aceitaram nem conversar. ” Impossible”.

Em Stonerenge, uma experiência mistica e espiritual
Em Stonerenge, uma experiência mistica num local de muitos séculos
A porta de Stornerenge lembrou-me do Caminho das Missoes e Machu Picchu
A porta de Stonerenge lembrou-me do Caminho das Missoes e Machu Picchu

Deixamos este local instigante em baixo de chuve e de muito frio. Sai intrigado e emocionado. Agoa vamos viajando para Bath, onde surpresas nos aguadavam. E o mais legal e que tanto pra papai e eu, quanto para Deize, Daniela e Adam, aquele periplo era tudo noviade Até brinquei com o Adam que papai e eu voltariamos outras vezes para que ele conhecesse melhor o seu pais, seria uma boa desculpa. Demos uma boa risada juntos. Chegamos em nosso próximo objetivo por volta das 15h e fomos logo procurar um local para nos alimentarmos, resolvemos entrar num pub. Tradicional no país, os pubs são locais de encontro e de convivencia de diversas idades, sejam jovens, adutos e até idosos. Entramos no local e tocava “Hotel California”; em nossa frente um jovem de uns 22 anos, ao nosso lado dois casais de mais de 70 anos e um pouco mais afastado um jovem casal de meia idade.
Aqui conhecemos um tradicional pub inglês
Aqui em Bath, conhecemos um tradicional pub inglês

Depois do almoço, fomos conhecer Bath, as águas termais dos romanos cuja construção data de seculo II antes de Cristo. Muitas das construções ainda permenecem originais e o que impressiona e que os varios ambientes, as varias salas, ainda estão intactas, mas só podem ser visitadas. O local esta fechado para uso, pois esta sendo recuperado. Pra quem quiser curtir as águas quentes e com propriedades minarais, e só se hospedar em um dos spa da cidade. Percorer aqueles corredores de pedra centenárias, sentir um pouco do clima da época é uma experiência sem igual, algo marcante em nossas vidas.
Em Bath, conhecemos as aguas termais dos romanos, datada do seculo II a.C
Em Bath, conhecemos as aguas termais dos romanos, datada do seculo II a.C
Vale a pena percorrer as reuinas de<br />
Bath e conhecer um pouco do estilo de vida romano
Vale a pena percorrer as reuinas de Bath e conhecer um pouco do estilo de vida romano

As 16h50 estavamos todos dentro do carro e o Adam colocou as coordenadas no GPS que nos deixaria quase 2,5 horas depois na frente da casa da Mag. Neste rajeto, continuamos conversando animadamente. Papai falando que o tio João havia morido com 104 anos e que ele estava pensando nisso. Seu Marto, inclusive, não se cansava em dizer que estava “bem feliz por passarmos mais um dia juntos”. Até o Adam perguntou para o papai se ele não queria comprar mais uma camisa. Risada geral. A Dani comentou que poderia até estampar dois “M” no pano, um de vô Martino e o outro de vó Morgena. Outra gargalhada. Um pouco antes das 20h estavamos chegando na casa da Mag. Todos entramos para o show prive com Kevin na batera. Já estavam em casa nos aguardando, além do Kevin, a Mag, a Lisa, o Mateus, oportunidade em que nos despedimos, pois o pessoal aqui trabalha e não e pouco. Ate a Rute, esposa do Junior, ligou dizendo que o papai do Davi não tinha conseguido a folga nesta quarta-feira para ir ate o aeroporto, coisa que confirmamos. Que não queriamos atrapalhar ninguém e que nossos encontros tinham sido maravilhosos aqui no velho mundo.
Foi uma terça-feira muito intensa com nossas sobrinhas e sobrinhos e nos resta agora nos recolher para fechar as malas, pois nesta quarta-feira as 21h15 iniciamos a viagem de volta ao Brasil onde esta previsto para chegarmos as 6h em Sao Paulo e as 8h30 em Florianopolis.

23 (22/01/10) Londres (Segunda-feira)
Nossa segunda-feira em Londres começou com a Mag indo na porta do nosso quarto, embora papai e eu ja estivessemos acordados. Papai dormiu muito bem e eu tambem. Incluive, a noite, so ouvi o som do “gute-gute” do veinho tomando o iogurte na madrugada. Apesar da temperatura baixa, a Lisa ate confirmou que nevou em algumas partes, jamais passamos frio dentro das construções, pelo contrário.
Antes de sair do quarto tivemos a alegria de ouvir o Kevin tocando bateria, bem ao lado do pai, Kenyo, que ainda dormia. Mas tudo era só alegria, uma criança linda e saudavel. “Meu Torinho”, como fala a Dada. Além do Kenyo e do tio Nei, que tocam este instrumento, agora nos temos um tocador mirim.
Keevin: mais um baterista na familia?
Por volta das 10h ja estavamos prontos para sair para passear, mas como o dia amanheceu novameente chovendo, resolvemos ir as compras. E a Mag disse que o Junior estava chegando para ir junto conosco; conseguiu tirar o dia de folga pra passarmos o dia. Saimos caminhando pelo bairro onde a Mag mora, com destino ao metro que nos levaria ao centro onde poderiamos ter acesso ao maior numero de lojas possivel. Londres e uma cidade cosmopolita em que o transporte público realmente funciona 24 horas por dia e as pessoas podem ir de um lado ao outro da cidade.
Mag, papai e Junior em uma seunda-feira chuvosa de Londres
Papai, Mag e Juniorr no metro (Underground) londrino
Chegamos no centro e começamos a pesquisar os preços das coisas mais caras e em algumas lojas compramos, pois o preço compensava. papai, mesmo passando longe das camisas acabou comprando mais algumas. Não tem jeito, Martinho e o homem camisa.
Numa dastas caminhadas, resolvemos tomar um taxi para colocar em nosso curriculum, ja andamos de cab em Londres.
E muito legal e não parece tão grade; de fora parece pequeno, mas não é.
Olha nos andamos ai de cab em Londres, gente.
Nosso periodo no centro, incluiu almoçar, e entrar em vários pubs para tomar café. Papai e eu fizemos algumas compras que nos obrigaram a tomar um outro cab (taxi), desta vez dos tradicionais pretos, para ir para casa. E em uma das lojas, estavamos sendo filmados e foi a oportunidade de nos fotografarmos a todos juntos, os quatro na mesma foto. Ate que ficou legal!
Uma foto diferente, da filmagem em uma das lojas
Foto: Um close da nossa filmagem
Tomamos um cab e chegamos em casa por volta das 18h. Como o Kenyo havia ficado com o Kevin, a Rute, esposa do Junior, pegou o Alan na escola e veio com o Davi tomar conta do filho da Mag, enquanto chegavamos. No final da tarde, foi aquela festa e uma bagunça geral na casa. A Mag fez uma janta e brindamos o sabor da amizade e do encontro. Papai e eu fomos dormir mais cedo, pois amanhã temos que deixar de ser preguicosos e acordar mais cedo, pois vamos nos encontrar com a Dani, a Deize e o Adam.

22 (21/0/10) Londres (Domingo)
Este e o segundo domingo que papai e eu passamos fora de casa e parece que hoje, ele vai encontrar uma igreja catolica e poder ir a missa em português e comungar. Pra ele e muito importante. Acordamos as 9h30 quando a Mag deu uma batidinha leve na porta do nosso quarto, cedido pelo Alex, amigo do Kenio e da Mag; aqui a nossa gratidao também a ele. Neste horário, chegou o Mateus que tinha ido trabalhar, inicia as 3h e encerra as 9h.
Depois de muito de espreguiçar, abrimos a janela do quarto e pudemos perceber que estava caindo uma chuva fina. “Engraçado que choveu mas não esfriou”, comentou papai. Ao que Mag retrucou: “Esta quente porque e aqui dentro, mas la fora esta mais frio”. Dito e constatado. Saimos as 11h30 para a igreja onde chegamos minutos depois; Mateus e Lisa foram de onibus. O Kevin vai direto para a bateria, instrumento tocado pelo pai.
Filho de baterista, baterista é.
Dei uma volta na igreja, que aos poucos enchia, tentando ver se conhecia alguem, em vão. Todas as imagens estão cobertas o que logo constatei que estavamos na quaresmo. Olhando aquele ambiente, aquele clima, e percebendo a minha jornada das últimas duas semanas me vem uma bonita emoção. Ela aumenta quando vejo papai contente por ter participado de uma celebração numa terra tão distante e comungado na boca. A missa foi presidida pelo paraco da paraquia São José, de Caxias do Sul , padre Álvaro, que estava passando um mês na Inglaterra. Interessante que no momento do ofertorio, quem levou todo posudo a oferenda da familia foi o Kevin.
Papai na missa dominical: comunhão na boca
Aqui, observei pessoas se cumprimentarem com alegria. Tambám constatei a distribuição gratuita do jornal ” Brazilian News”, direcionado aos “brazucas”. Interessante e que muitos, adultos e crianças, além da comunhão, iam na fila pedindo bençãos particulares, a quem o padre atendia alegremente.
Eras 13h15 e deixamos a igreja com destino ao restaurate “Bankete” onde nos encontramos com o Adam, a Dani e a Deize. Puxa, foi um encontro muito amoroso e querido, onde pudemos, enfim, reunir quase toda a familia Mendes que atuamente mora em Londres. Falamos da vovó Gena, dos pais Teko, Zola e Dada, de toda a turma que ficou no Brasil, mas a Isabela (filha do Gustavo e da Daiane, que a filha mais novo do Teko) foi o centro da conversar por um bom tempo.
No restaurante tomamos caipirinha, torresmo, aipim frito; estavamos em casa
Permanecemos ali um bom tempo, ate decidirmos ir todos na casa do Júnior, onde o enteado dele estaria estava de aniversario. Aproveitariamos para ver o Davi, filho dele e o bisneto mais novo do papai. Assim fizemos, sendo que um pouco foi de carro e outro de ônibus. Na casa do Júnior, que encontro legal, pois estavamos todos reunidos novamente, todos os Mendes que moram em Londres. Ficamos ali até perto das 18h quando cada um seguiu o seu caminho, a Dani, Adam e Deize para um lado, e nos para outro. Mas com estes combinamos de passar a terca-feira juntos. Chegamos em casa já cansados. Foi bater um papinho, tomar banho e papai já estava na cama. Antes, comentou com a Mag: “Hoje estou muito feliz porque fui a missa, comunguei e vi minha familia reunida”. E eu estou aqui, 22h local terminando os dois relatos, de ontem e de hoje. Nos encontramos amanhã.
Bisavo Martinho com o bisneto Davi
Bisavo Martinho com o bisneto Davi
Junior, Davi, Alan (o aniversariante) e Rute
Junior, Davi, Alan (o aniversariante) e Rute
A reuniao da familia Mendes que mora em Lodres
A reuniao da familia Mendes que mora em Lodres

21 – (20/02/10) Doha a Londres

Levantei as 3h30 e disse: “Bom dia, papai. Vamos?”. Ao qu ele respondeu: “Vamos embora”. As malas j’a estavam prontas, foi s’o tomar um lanche rapido e antes das 4h ja estavamos na frente do hotel. Como combinamos com o taxi as 4h, resolvemos aguradar. Ficamos conversano com Mikee, um etiope que trabalha como vigia e que e cristao. O vento fresco da orla mar’itima mexia com as folhas das arvores e tocava nossos rostos, ao lado a bandeira do Qatar tremulava enquanto pardais cantavam freneticamente. Como passavam alguns minutos das 4h e o nosso taxi nao veio, acabamos contratando a van do propro hotel.
Feito o check in, a imigracao e as 4h40 estavamos tomando um gostoso cafe aguardando o embarque que ocorreu as 5h30. Para ir ate o aviao, pegamos um onibus que nos deixou na porta. Ainda nao amanhceu, mas percebe-se no horizonte apontar os primeiros raios solares. As 6h20 o sol ja apareceu quase que completo e o aviao comeca e se movimentar, ou seja, cinco minutos apos o horari marcada de partida. Olha ao meu ldo, papai. “Tudo certo papai? Quer que eu segure na maozinha?”. Risos e gargalhadas.
Falamos da bencao que estava senso a nossa viagem, primeiro em Teneriffe, depois em Doha. Como foi bom esta convivencia com o Tatau e com o Ita, ve-los bem e cheios de saude e entusiasmo. Ao olhar de cima a capital do Qatar observamos melhor a geografia do local, com terras e areias brancas a beira mar, pr’edios grandes e modernos. Aqui tem tudo e quei ao mesmo tempo nao tem nnada, comentamos de novo. Dentro da gente e so gratidao aos familiares e a Deus por mais esta bonita oportunidade.
Seguimos viagem e eu lendo o livro ” A arte de se salvar” do rabino Nilton Bonder. Ouco musicas instrumentais lindas e aquele clima me vem um sentimento de paz, de amor, de inteireza. E aqui me vem a seguinte frase:”Nao te atenha ao que Deus nao quer de ti, e sim, o contrario, busque alinhar-se ao que Deus espera” .
Entre Doha e Londres levamos cerca de sete horas e fizemos uma viagem bem tranquila. Papai descansou bem, dormindo em varios momentos. Perto das 11h, hora local, o piloto avisa que est’a se aproximando da pista e 10 minutos depois j’a estavamos aterrissando em Londres. Neste momento, percebo um dia bonito com sol e poucas nuvens. Passamos na imigracao sem nenhum problema, pegamos as malas e a Dani e o Adam ja nos aguardavam no sagua de chegada do aeroporto. Dai que soubemos que o voo havia se adiantadao e logo em seguida a Mag, o Kenio e o Kevin vhegaram. Foi muito legal encontrar os parentes ali, principalmente naquele contexto, longe de casa. Como e bom ter familia.
Parentes que puderam nos receber no aeroporto: que legal!
Deixamos Adam e Dani, com a certeza de que almocariamos domingo e passeariamos juntos no domingo. Pegamos o metro com a Mag, Kenio e Kevin ate proximo a casa da Mag. Andamos pouco a pe e enquanto Kenio e eu levavamos as malas, Mag e papai brincavam descontaridamente com o Kevin nas calcadas. Foi bonito, pois foi um encontro de geracoes, ate porque o bisneto nao conhecia o bisavo.
Encontro de geracoes, bisavo com bisneto
Chegamos em casa, onde encontramos Mateus e Lisa. Papai comeu um feijao feito pela Mag ee logos fomos paa a rua. Seguimos o conselho da Mag que disse que era para aproveitar o dia de sol que se fazia.
Ao sair de casa, sentimos o frio londrinho de oito graus, mas nao passamos frio, pois o Kenyo nos emprestou algumas de suas blusas. O primeiro impacto foi andar num transito onde o volante e no lado direito, imagina estar na frente do automovel. Volta e meia “pisava” no acelerador e no freio. Fomos primeiramente dar uma volta as margens do rio Thames e andar sobre a secular Tower Bridge. Assim como nos, muita gente estava ao mesmo tempo neste local, pessoas de diversos paises; estamos numa cidade cosmopolita, mais do que as outras que ate entao tinhamos passado.
Nosso passeio as margens do rio Thames
O frio era grande que Mag comprou um gostoso cafe que foi saboreado com muita disposicao. Depois dali, fmos dar uma volta melhor no centro de Londdres e pudemos perceber o contraste do nove e do velho, do antigo e do moderno, do tradicinal e do vanguardista. outro detalhe interessante de Londres e que nao existe nenhum fio de eletricidade em poste, e tudo subterraneo, como a capital do Brasil. Nossa passeio estava legal e chegamos a avistar o Big Bang e ouvir as cinco badaladas anunciando as cinco horas da tarde. Era necessarrio retornar pra casa, pois papai e eu estavamos cansados, haja vista que nao estavamos acordados ha quase um dia. Era hora de volta pra casa.
Olha nos dois ai na foto gente
Qual nao foi a minha surpresa quando fui abrir a mala do papai a cheve entrava e nao abria. Tentei varias vezes e ele tambem. Foi quando me dei conta que havia pegado a mala errada. Alguns presenntinho, mas o seu conteudo era essencialmente roupas. Se perdesse a mala o papai ficaria sem roupas. Logo a Mag iga para o aeroporto, entra em contato com o setor de bagagens e constata que a mala do papai esta la. Ufa! Outra viagem foi ir sabado a noite para o aeroporto de Londres: la vamos Mateus, Mag, Kevin e eu. pUXA, Fiquei orgulhoso da mnha sobrinha que ha 9 anos veio para Londres agora se guia e se governa. Parabens!Mais de uma hora pra ir, mas enfim, conseguimos o intento. Trocamos as malas e voltamos para casa, onde chegamos passado das 23h. Eta sabado de aniversario, brincamos com o Mateus. Pedimos uma pizza, tomamos um vinho e nos recolhemos depois da meia noite. Cheeguei no quarto e antes de dar boa noite pra papai, tranquikizei-o que estava tudo certo. Agora e descansar para o encontro de toddos os mesmbros da familia no domingo. Assim espero, assim sera.
Minha sobrinha Mag se dirigindo em Londres

20 – (19/02/10) Doha (sexta-feira)
Noss último dia no Qatar foi bem tranquilo, pois acordamos às 11h e tiramos para fechar as malas. Depois de tomarmos café, fomos andando até o shopping – o Ita tinha batido o carro dele ontem – que fica bem pertinho da casa do mano, mas o calor estava insuportável. Aqueles poucos metros pareciam intransponível, mesmo colocando a blusa do abrigo na cabeça. Sim, blusa porque dentro das construções chega até a ser frio.
Caminhamos poucos metros, mas o calor estava forte

Chegamos no shopping e aqui ocorreu uma coisa assaz interessante. É que o Marcinho e o Anderson foram barrados. Por ser o dia da família, afinal de contas, a sexta-feira é o domingo do árabe, eles nao querem indiano, paquistanês, marroquino, jovens que trabalham nas construções, “invadindo”o shopping, acredita? Com o jeitonho do Ita, eles entraram no local. E qual nao foi a minha surpresa quando ao sair, observei dois garotos serem barrados, pois tinham pedido para uma senhora dizer que eles faziam parte da mesma família. Em vão. Por aqui, o mano comprou alguns presentinhos para seus filhos Diego e lara e para sua esposa Valéria, já que viajaria naquela noite para Portugal. Um lance legal, aqui, foi quando peguei o mano abraçado com papai. Isto já tinha ocorrido várias vezes, mas perdi o tempo; desta vez consegui.
Papai e Ita abraçados no shopping
Depois, fomos almoçar com o Marcinho e o Anderson. Foi muito legal. Aqui ficamos quase duas horas já com a tristeza da partida. Falamos sobre nossas famílias e até o Marcinho brincou que o Ita fala que nasceu em Criciúma, mas ele sabe que é na “Mineração de Içara”. O que nos obrigou a gostosas gargalhadas. Também falams sobre ecologia, sobre água e, inclusive, sobre futebeol. Mas pouco. Nos despedimos deixando ali mais dois amigos, pessoas que antes de chegar ao Qatar nao conhecíamos, mas depois, transformaram-se em amigos. Que bom.
Bons amigos que fizemos no Qatar: Marcinho e Anderson; junto com papai e Ita
No shopping, outra coisa interessante. Fui ao banheiro e percebi um local diferente dos mictórios que estamos acostumados a usar. Fui saber, tratava-se de um lavador de pés e maos. Sempre que um árabe que segue o islã entra na mesquita, deve lavar as maos e os pés. Mas onde está a mesquita, perguntei? Logo vi, pertinho, a placa indicando o local, ao lado da porta do banheiro.
As placas indicativas do banheiro e do local de reza dos islâmicos
Placa indicando mesquita masculina
Local onde lavam-se as maos e os pés
Retornamos para casa perto das 17h e começamos a, enfim, fechar as malas. Coisa que nao deu muito trabalho, pois havia comprado uma outra mala pequena para levarmos na parte de cima do avião. Perto das 19h o Zaga chegou para trazer seu abraço e desejar boa viagem; confirmou que em maio vai nos visitar em Criciúma. Em seguida descemos até o restaurante do difício para o nosso jantar, local que batemos uma foto dos três. Pronto! enviei e-mail para o pessoal de Londres que estamos de partida. Está tudo certo, tudo bem. Agora, é só contar as horas para nos encontrar com nossos sobrinhos e sobrinhos netos em Londres. O Ita parte daqui a pouco para Portugar e nós na madrugada para Inglaterra. Cada um segue seu destino.
Uma foto da despedida, cada um segue sua jornada

19 – (18/02/10) Doha (quinta-feira)
Fui dormir bem tarde e acordei às 8h30 e fui logo postando o material do dia seguinte no blog. O mano foi resolver a sua situação no comitê esportivo e depois na agência de viagem, por isso, papai e eu passamps boa parte do dia sós. De manhã, saimos tipo 11h em diração ao Suque, onde queria comprar algumas lembranças locais; adora estes bibelôs. Resolvemos ir a pé paa curtir o caminho a beira mar. Eu mesmo queria dar uma caminhada por aqui e até fotografar de perto os prédios da beira mar cuja arquitetura sao um caso a parte. Têm predios quadrados, retangulares, inclinados em ziguezague, enfim prédios de todos os tipos e gostos, na maioria hotéis e centros comerciais. Andando um pouco por aqui percebemos a quantidade de obras, parece até que nao existe uma crise econômica munidal.

Parece que na arquitetura de Doha, os prédios "brigam"para ser diferentes
Parece que na arquitetura de Doha, os prédios “brigam”para ser diferentes

Quando estávamos em casa, parece até que o dia estava até ameno, mas agora aqui debaixo deste sol de 30 graus, a coisa apertou. POr que nao trouxemos um boné, nos perguntávamos. De tempo em tempo, papai e eu nos refrescamos em baixo das poucas árvores. Ali também estao famílias fazendo piquenique e curtindo o dia, além de pessoas pescando, caminhando e correndo. Nossa caminhada a beira mar é muito bonita e vem até uma brisa gostosa de vez em quando, mas estafante. “Aha uma rede”, comentou papai. Preocupa-me papai, que nao pode fazer esforço. Ligo para o mano para saber como está e confirmo que a passagem havia sido liberada, mas que faltava a confirmação da reserva, e era o que ele iria resolver. Por isso, papai e eu seguimos caminhando, mas resolvemos acatar uma sugestão do mano: ir de táxi. Foi o que fizemos. Paramos num local estratégico, onde papai pode aguardar na sombra e dividimos um taxi com um jovem filipino. Às 11h20 chegamos ao Suque, que fecha às 13h e só abre às 16h; neste ínterim, teria que fazer as comprinhas.

Papai na "Al Corniche" observa o mar e a natureza sob um sol de 30 graus
Papai na “Al Corniche” observa o mar e a natureza sob um sol de 30 graus

O Suque foi a primeiro local que papai e eu visitamos e esta já é a terceira vez que visitamos, isso demosntra que é bem legal. Onte à noite mesmo, estivemos aqui para bebre chá a fumar chicha. Antes de tudo e de qualquer coisa, papai e eu fomos tomar uma vitamina (laranja, maça e banana) que desceu redondo. Depois, começamos nosso périplo. Mas antes de tudo, algo inédito: um grupo musical de pelo menos 5 pessoas foi levantado por um guindaste e os componentes tocavam em alto e bom som pra todos ouvir enquanto rodava em 360 graus. Aquim entao, comprei uns camelos, uma lâmpadas de gênio e miniatura e outras bobicinhas legais. Depois das 13h, quando o mercado fechou, resolvemos retornar, mas antes ligamos para o Ita. Ele, até já bastante tranquilo, disse que tinha batido o carro na traseira de outro, mas que esteva bem, Sugeriu que voltássemos de taxi. E assim fizemos. Desta vez o motorista era um indiano com seu sutque no ing;ês bem interessante, mesmo assim conseguimos manter um bom diálogo. Na chegada do hotel, perguntou se quem me acompanhava era meu pai. Diante da minha afirmativa, disse-me; “meu pai também”.

No Suque, uma espécie de Mercado Público, pode-se comprar calçado, roupa, perfume, alimento e souvenirs
No Suque, uma espécie de Mercado Público, pode-se comprar calçado, roupa, perfume, alimento e souvenir

Chegamos em casa e fui fazer nosso almoço. Durante meu trabalho, pensie numa frase que melhor definisse este pais e logo comartilhei com meu pai: “É um país que tem tudo e nao tem nada”. Enquanto almoçavamos, o Ita hegou. Disse que estava sem carro e que o amigo Jonas havia lhe socorrido. Almoçou rapidamente e já foi para o campo, pois teria trabalho com os profissionais que nao jogariam à noite. Papai e eu ficamos em casa descansando e perto das 17h nos dirigimos a pé para o campo e o sol já estava caindo. Encontramos o Ita e os demais membros da comissao técnica. Acabamos indo para o jogo no carro do Jonas.
Acompanhamos a partida do Qatar contra o Shamal, que terminou de 3 x 0 para o time do meu irmao. Antes do jogo, Marcinho chegou perto da gente ouvindo música brasileira e disse que está contente no Qatar, mas o que mais sente saudade é do relacionamento com os amigos que deixou no Brasil. Enquanto o jogo nao começa, Anderson comenta que no campo do Al Sadad, até na arquibancada descoberta há condicionador de ar para os dias de frio; fica em baixo das poltronas.
Sentamos na arquibancada e o vento frio nos fez arcar os corpos. Vendo lá de baixo, o mano traz chá, banana e jaquetas. Na hora certa.
Terminado o jogo, voltamos, Said (auxiliar técnico), Ita, paia e eu no carro do Jonas que nos deixou em casa. Jantamos e, cansados, fomos dormir. Nesta sexta-feira é dia de fechas as malas e descansar, até porque é o domingo dos árabes e quase nenhuma repartição abre. Depois do jogo, a surpresa. O Marcinho, camisa 10 do Qatar, traz sua camisa e doa para o papai; e o Sebastian, camisat 23, uruguai naturzaliado Qatari, jogador da seleção local, dos a sua camisa pra mim. Foi um momento de despedida e marcante nesta nossa viagem, valeu!
Anderson (amigo do Marcinho), Jonas (treinador de goleiros), Ita e papai no jogo desta quinta-feira: 3x0
Anderson (amigo do Marcinho), Jonas (treinador de goleiros), Ita e papai no jogo desta quinta-feira: 3×0

18 – (17/02/10) Doha (Quarta-feira)
Papai e eu resovemos dar uma descansada boa e ficar em casa até 11h40, quando saímos, embora eu tivesse acordado por volta das 10h e papai uma hora mais tarde. Hoje percebi uma secura no nariz, muito peculiar a que sentia quando morava em Brasília.
A temperatura ainda está agradável. Entramos no carro do Ita e Elba Ramalho canta “bate, bate bate coração…o que a gente leva desta vida, coração, é o amor que a gente tem pra dar”… Vamos conversando no carro e papai, mais uma vez, expoe alegre e satisfeito que nunca pensava que estaria fazendo o que está em plena execução agora, principalmente uma viagem como estas. É bom lembrar que em dezembro ele esteve internado no hospital, pois estava muito fraco. “Na verdade, eu nunca fiz um passeio assim tão longe e tão bom”, comentou ele.
Com este deixa, o mano falou do trabalho que foi conseguir o visto para o papai, pois pessoas acima de 60 anos são barradas no Qatar. Daí precisou uma intervenção maior junto aos dirigentes do clube, chegando no Sheik que interveio pessoalmente no caso.
Passamos no clube do mano para apanhar um dvd com o Lazzaroni e fomos em direção ao Shopping Vilaggio. No caminho, passamos numa imensa mansão, onde o mano disse ter feito um trabalho de personal treiner com o Sheik que iria casar. O Ita disse que é inacreditável o luxo e as construções que tê em uma parte da casa, pois a parte íntima não teve acesso. No caminho, passamos na Aspire, local onde o governo local hospeda jogadores mirins de todo o mundo, assim como seus familiares. O objetivo é desenvolver um centro esportivo, com ênfase ao futebol, e depois naturalizar estes atletas para que defendam as cores do Qatar. Fica no mesmo complexo do campo onde o Brasil jogou recentemente contra a Inglaterra.
Estádio em que o Brasil jogou recentemente contra a Inglaterra; o verde, no primeiro plano, é grama sintética
Estádio em que o Brasil jogou recentemente contra a Inglaterra; o verde, no primeiro plano, é grama sintética

Bem ao lado tem uma torre muito diferente onde está sendo preparada para funcionar várias coisas, dentre elas, restaurante, hotel, inclusive para abrigar a selação local. Chegamos no Shopping Vilaggio e com este nome, só poderia ter algo que lembrasse a Itália. E não deu outra. Além das casas de massa, de pizzaria, também tem uma gôndola, igual da de Nova Veneza (e de Veneza, é claro), só que aqui, é possível fazer um passeio por QR 15,00 dentro do Shopping. Se não fosse isso, a pista de esqui também poderia ser mais uma dos desparates desta terra; e não é. Os Qatares praticam esqui em pleno deserto.
Caminhamos pelo shopping e percebo que tudo foi planejado como se estivéssemos numa ruela tradicional italiana, com suas casas, portas e até telhado, só ao invés de casa, são lojas. Mais: o teto é todo coberto por nuvens pintades que lembram o estilo da Anjo, só que aqui é mais fraco. Lindo!
Uma gôndola que é possível passear dentro de um shopping, em Doha tem
Uma gôndola que é possível passear dentro de um shopping, em Doha tem

O cenário parece uma vila interiorana da itália, mas estamos no Vilaggio, em Doha
O cenário parece uma vila interiorana da itália, mas estamos no Shopping Vilaggio, em Doha

Andamos bastante, sempre com o interesse e a curiosidade. Encontramos dois filipinos que trabalhavam numa loja de eletrônicos que quiseram saber de que país éramos. Trocamos algumas informações depois perguntaram como era obrigado em portugues. E filipino agradecido é “salamaat” e de nada é “obudai”.
Qual não foi nossa surpresa quando nos encontramos com o amigo Jonas que acabou ficando um bom tempo conosco e até almoçou em nossa companhia. No restaurante, vimos rosas em vasos e, de longe, percebo papai as tocando. Sim, são rosas perfumadas. Enquanto aguardávamos o almoço, conversávamos como velhos amigos ouvindo Bossa Nova na música ambiente do shopping.
Conversando com o Ita e o Jonas, descubrimos que não existem cachorros porque o governo não permite. Também não permite venda de bebidas alcoólicas em lugar público algum, só nos locais determinados e com “passe” do governo. Também os casais não podem passar de andar de mãos, abraço e selinho nem pensar. Beijo demorado e agarrões podem lhe levar à prisão. Aqui, as mulheres cobrem seus corpos com as burcas; e as casados até seus rostos. Os homens não saem para namorar, saem sempre com outros homens para tomar água, café ou chá. E, quando não estão ao telefone celular, estao conversando com os amigos. Mas nada de mulher.
Neste shopping pude ver de perto o tratamento que eles dão para logomarcas que sao mantidas a original e refeitas para o árabe. Fica até engraçado, mas todas as grandes marcas são assim. De Mc Donald’s a Reebock (veja fotos abaixo)
Sabe ler o que está escrito?
Não precisa saber ler árabe para traduzir o que está escrito, precisa?

Na loja da Reebok o exemplo da convivência das duas logos
Na loja da Reebok o exemplo da convivência das duas logomarcas

Às 14h50 nos dirigimos pra casa e na saída do shopping deu para perceber do porque de tanta beleza em se tratando de verde dos gramados e coloridos das flores. Na saída do shopping percebi como é executado o sistema de irrigação em um canteiro recentemente plantado. E o interessante que não é somente este, todos sao assim, necessitam de água diariamente sob pena de morrerem na primeira semana.
O sistema de irrigação permite deixar o país mais colorido
O sistema de irrigação permite deixar o país mais colorido

Chegamos em casa por alguns minutos, só o tempo de pegar blusa e o computador. Fomos para o cafezinho próximo ao clube, onde tínhamos encontro com o ex-técnico do Grêmio, Paulo Autuori. Como gentleman, chegou no horário combinado. Com grandeza e simplicidade, ele esteve presente e encheu nosso encontro de simpatia. Conversamos sobre liderança, autoconhecimento, sobre questões existenciais e, inclusive, futebol. Foi muito bom conhecê-lo.

Papai, Milton e Paulo Autuori numa descontraída conversa
Papai, Milton e Paulo Autuori numa descontraída conversa

Como já estávamos próximo ao clube, permanecemos no café, mesmo que o Autuori tivesse que ir treinar o seu time. Conversamos “um bucadinho”, no dizer o Ita e logo saímos. Ele foi se arrumar e papai e eu demos aquela caminhada, uma observada melhor no ambiente e logo fomos acompanhar o treino dos profissionais na poltrona dos Sheiks. Observei que no ginásio poliesportivo estava ocorrendo um torneio internacional de tenis de mesa, o nosso ping-ping; atletas de diversas nacionalidades, como Índia, Coréia, Polônia.
Lembro-me que quando o Ita saiu, deu a chave para o papai que logo me entregou. Foi quando eu lhe perguntei: “Quer ficar com a chave, papai?”. Ao que ele respondeu: “Que dúvida que não”. Para o que justificou dizendo que “aqui eu sou Sheik, meu filho” (risos).
Depois do treino, ficamos na porta de entrada principal, onde aguardávamos o Ita. Encontramos um jogador brasileiro de 16 anos que confirmou que na escola pública o ensino é só árabe e na privada é em inglês. Às 20h15 já estávamos em casa, o Ita preparando o jantar quando ele nos intima a fazer um passeio interessante após a refeição. E foi.
Nós três fomos a um bar marroquino, no Mercado Público local onde o clima era parfeito. Cosntrução típica, meia luz. Fomos para o terceiro andar, a céu aberto. Entrei ali com taquicardia, pois era tudo mágico. Era como se estivesse voltando pra casa. Sentamos num banco com almofadas, pé pra cima, tomando chá a fumando chicha, o cigarro de água. Fou maravilhoso e inesquecível. Depois das 23h voltamos pra casa e nos recolhemos, mas eu fiquei com aquela energia muito gostosa, pois ali estava pessoas de diversos lugares do mundo, conversando animadamente sem alcool sem droga. Era alegria pura, não encontrada em nenhuma garrafa.

Os diretores e até Sheiks (abaixo, sentados) acompanham todo treino
Os diretores e até Sheiks (abaixo, sentados) acompanham todo treino

Papai e Ita tomam chá e fumam a chicha em bar marroquino a céu aberto
Papai e Ita tomam chá e fumam a chicha – cigarro de água – em bar marroquino a céu aberto

(Acompanhe amanhã o relato do nosso penúltimo dia no Qatar, pois sábado, às 6h10, vamos para Londres)

17 – (16/02/10) Doha (terça)
Acordamos faltava 10 minutos para as 8h e logo o Ita comentou: “Está nublado”. Olhei pela janela e observei que o sol ainda nao tinha saída e a serração dominava. Mas serraçao baixa, o sol é que racha, comentamos nós. Mas aqui, como diz o Ita “Serração baixa, o sol nao aparece”. Mesmo assim resolvemos levar a cabo o nosso plano de ir até o Sealine.
No canto superior esquerdo da fota dá para observar bem a serração
Saimos um pouco antes das 9h e entramos no carro ao som de Bruno e Marrone e o clima está até um pouco frio, embora seja um “friorento” assumido. “Nestes versos tao singelos minha bela minha flor”…canta a música. Que prossegue: “Eu nasci naquela serra, num ranchinho a beira chao. Todo cheio de buraco onde a lua faz clarão”… Ouvindo a música, papai comenta: “Pois é, na casa que eu me criei a telha era de palha e as vezes corria que dava pra ver o céu”.
Papai também falou que quando era pequeno, precisava trabalhar para ajudar a família. Muitas vezes a vó Cota, sua mae, pedia para ele ajudar a limpar as buchadas pra vender, mas ele fugia para ir para escola. “Ela nunca me bateu, acho que ela entendia”. Em seguidaa, o mano comenta o quanto a Vó Cota era legal, pois ele a conheceu. “Mas tudo passa”, expos papai. “Mas que pena, né?”, disse o Ita. E papai finalizou: “Tudo passa, tudo tem seu tmpo de início e de fim”.
Seguimos viajando com destino a Sealine e observo as pixações nos muros e casas. Passamos pelo aeroporto quando o Ita quis saber como estavam os parentes, tios e tias que moram no Brasil. Passamos por diversas vilas, todas com muitas casas que , de acordo com o mano, servem para abrigar trabalhadores do gás e do petróleo.
Durante a viagem, passamos por várias empresas que deduzimos serem refinarias de petróleo; d eum lado deserto de areia, de outro idem. Quando começam a aparecer cabanas armadas na areia onde alugam tri-ciclo para passeio no deserto, além de passeio com camelo e até a cavalo. Aqui, algo interessante, uma placa que dizia para dar preferência aos camelos que passassem na pista.
Na beira da estrada, as imensas refinarias de petróleo se escondem atrás dos comoros
Passado das 10h30 chegamos no Sealine Beach Resort, realmente um oásis no deserto. Conhecemos um pouco do luxo do Qatar, areia fina, grama, piscina, cachoeira, flores, pássaros e árvores a beira mar em pleno deserto. Aqui, papai e eu estreamos como andadores de camelo. O danado nao é nem quando sobe ou quando anda, mas quando desce o bicho recolhe primeiro as partas da frente e a gente tem a impressão de que vai cair. Nada sério. Uma experiência realmente interessante. Papai até quis “mijar fora da pichorra”, mas lembrou que o Nei disse que queria ver uma foto dele em cima do camelo e não deu outro. Enfrentou o bicho.
Papai já pode colocar no seu curriculo que andou de camelo no deserto
O camelo que eu andei era um dromedário
Aqui, neste resort, sinto pela segunda vez o cheiro da praia, primeiro no forte com o Zaga. Aproveito para dar uma volta com o papai pelo local, enquanto caminhamos junyp a palmeiras, grama, flores e uma cachoeira, onde papai fez uma bonita pose. “Olha eu aqui no fim do mundo com sandália, bermuda, camiseta e bone”, comenta ele. “Quanto tempo nao uso mais bermuda?”, pergunta-se.Papai de bermuda, camiseta e bone.
No Sealine Beach Resort tomamos ainda um capuccino cada um e ficamos por um bom tempo falando sobre relacionamento interpessoal. Da importância de se autoconhecer para depois tentar descobrir e ir ao encontro do outro. As vezes a névoa era tao grande que, mesmo estando a 50 metro da beira mar, nao dava para ver o mar. Lembro de uma frase do papai onde comentou que nos relacionamentos, o importante é mantes a unidade na diversidade”
O espelho nos revela.
Às 13h iniciamos a viagem de volta para Doha, onde chegamos menos de uma hora mais tarde e aqui aproveitamos para dar uma geral no carro do Ita. Um pouco antes das 14h já estávamos de volta em casa, eu postando as notícias no blog e o mano na cozinha. Marcamos de sair novamente agora a tarde às 15h30 e foi o que fizemos. Papai estava cheiroso com um perfume dado pelo Ita que logo avisou: “Tem que tomar banho de água, noa só de perfume tá paizinho?” Olhando para o lado ele responde: “Pode deixar”
Fomos no Shopping Land Mark para o papai comprar os últimos presentinhos para a mulherada, pois fez as contas e ainda faltavam alguns. Depois, fomos ao campo acompanhar o treino e aqui papai deu uma cochilada sentado. Depois passamos na lavanderia para pegar as roupas que mandamos lavar há dois dias. Na sequência, já cansados, pois acordamos cedo, viemos para casa, nos alimentamos e recebemos a visita do Zaga. Resolvemos ir domrmir mais cedo.Papai nao aguenta o cansaço e cochila sentado no campo.

16 – (15/02/10) Doha (Segunda)
Acordamos por volta das 10 horas e o clima estava como dos outros dias, ameno e agradável. Novamente o Ita vem do seu apartamento e faz o nosso café com muito carinho e eu lavo a louça. Saímos de casa por volta das 11h. Dentro do carro, o papai comenta mais uma vez que está muito contente porque a mamãe resolveu dar uma passeada ontem com as manas.
Depois de ligar para o Lazzaroni para almoçar juntos e este confirmar, o Ita perguntou o que o papai estava achand da estada em Doha: “Comer, beber, dormir, motorista particular, tudo sem pagar nada? Reclamar do quê”, comentou ele. E o mano novo logo retrucou: “O senhor já pagou a sua parte há muito tempo papai, agora é a nossa vez”. Realmente os manos Tatau e Ita nao nos deixaram pagar nada e o Ita deu até QR 500 (catar real) para cada um de nós logo no dia que chegamos. “É para as despesas de vocês”, comentou. Engraçado é que uma ou duas vezes ele nos pediu “emprestado” QR 1 (risos). Enquanto nos dirigíamos para o Museu de Arte Islâmica, papai pergunta qual dia da semana é hoje, segunda ou terça? Nós até pensamos, mas logo veio: “Segunda”.
Chegamos no museu um quarto depois das 11h e nos dirigimos até a bonita construção de cinco andares de carrinho elétrico. Quando fomos pegar um elevador, fomos chamados a atenção de que aquele era para famílias e mulheres, o outro era só para homens. Olha só, 2010 e ainda há segregação.
Papai e Ita na parte de trás do carrinho elétrico
O local é um luxo só e a construçao bem moderna com piscinas e chafaris por todas as partes, até porque está construído bem junto ao mar com suas águas cristalinas. Passamos um pouco mais de uma hora no MAI, por mim passávamos mais, mas papai e Ita parece que nao se agradaram muito. Tivemos muita sorte, pois normalmente paga-se QR 50,00 para entrar e neste dia era “free”. Em todas as salas, haviam seguranças – homens e mulheres – observando atentamente o movimento, pois ali estava peças de todo oriente médio com valor inestimável. Para se ter uma idéia, para podermos entrar no museu, tivemos que passar por uma vistoria do mesmo tipo em que avião, pode?
Sem trocadilho, mas o museu é uma jóia. Tanto é que guardas peças preciosas como cerâmicas turcas de 1580, facas adornadas da India de 1800, vaso sírio do século XIII, prato do Irã do século X e ua espécia de cachecol de 5 mil pérolas.
Entrada do Museu de Artes Islâmicas, em Doha, Qatar
Obras do século X são encontradas em bom estado no museu
Ao deixar om prédio, foi aquele choque, pois dentro a claridade está em meia luz e o condicionador está com temperaturas baixas devido a exposição. Fora, naquele horário, chegamos perto dos 32 graus Célsius. Resolvi ir caminhando até a entrada enquanto papai e Ita foram apanhar o carro no estacionamento. Queria mostrar uma foto das flores (veja foto abaixo) do gramado cultivados em cima de uma pedra, um chao altamente arenoso. Se nao fosse eu que tivesse visto, jamais acreditaria que fosse no deserto da Arábia.
O colorido contrasta com o verde: deserto?
Deixamos o MAI e fomos para o mercado público onde papai foi comprar mais alguns presentinhos. E o mano negociava sempre com os vendedores. Ele explicou que se nao fizer isso, o vendedor pode se sentir ofendido e nem vender; ofendido no sentido de nao ser valorizado. Enquanto viajamos do mercado para o restaurante, onde iríamos nos encontrar com o Lazzaroni, papai disse que estava se sentindo bem, pois estava dormindo e se alimentando muito bem. Também comentou: “A esta hora a mae já acordou, o pessoal deve estar dormindo, já que é segunda de carnaval, a dona Eugênia está tomando café, e o Teco limpando a piscina”.
Chegamos às 13h10 no restaurante e logo o Lazzaroni chegou. Foi uma conversa gostosa, onde rolou de tudo, desde permacultura, sustentabiulidade, cultura arabe, e, é claro, futebol. Durante mais de duas horas, ficamos ali animadamente com um dos maiores treinadores do mundo e seu auxiliar, o meu irmao, filho do seu Martinho. Que legal! Que orgulho. Às 15h15, retornamos para casa para uma sesta. Às 16h30 fomos para o campo do Qatar Sports Club onde acompanhamos a final do campeonato entre os policiais, no campo oficial do clube. Os profissionais treinaram no campo extra, no lado de fora do estádio. Ao sairmos, o Ita pega no pé do papai que estava com a camisa suja. “Tia”, MIlton, disse papai. “Como assim, pai?”, retrucou o mano. “Tia carma, rapaz”. Riso geral.
No intervalo da final dos policiais, papai e eu fomos no bar da esquina tomar um café, mesmo espaço que tomamos um café com o Lazaroni no almoço. Depois, fomos ver o encarramento do jogo e após isso, acompanhamos os trabalhos finais dos profissionais do Qatar SC. Nos encontramos com os amigos de sempre e até com outros jogadores que já nos conhecem. No final, papai e eu fomos com o Marciunho e o Anderson jantar num restaurante italiano. Conversando com o Marcinho sobre os gatos que vimos sem dono, ele nos relatou que há anos, existiam muitos ratos na cidade e que foram trazidos gatos justamente para isso, caçar rato. Com a escassez dos ratos e a procriação dos gatos, a sitação ficou difícil de controlar. No restaurante, permanecemos até 21h30 numa gostosa e animada conversa, até papai se animou a contar várias piadas. O ita dizia: “Se a mae estivesse aqui ela diria, Martinho, Martinho. Mas como ela nao está, pode contar papai”. De volta para casa, vimos um vídeo da pré-temporada na Espanha, fizemos os planos para a cordar cedo amanhà e ir para o deserto tamar banho de mar e andar de camelo. Para isso, o ta emprestou uma bermuda, uma camiseta e um boné que papai ficou que foi o Chapolin Colorado. guardemos nossa viagem amanhã, então.
Paia conversa com o ex-técnico da seleção, Sebastião Lazzaroni

15 – (14/02/10) Doha (Domingo)
A palavra Domingo quer dizer “dia do vazio”; para a igreja católica, dia do Senhor. E embora meu pai, católico praticante, tentasse encontrar uma igreja católoca num país onde praticamente todos sao islâmicos, acabou passando este dia sem ir à igreja. Hoje completamos 8 dias de aventura e que está sendo inesquecível por diversos motivos, mas o principal é pelo reencontro dos homens de casa abaixo de mim. Parece até que meu pai nao deu tanta atenção pra nós e agora temos a recompensa, um pai só pra nós. E eu mais ainda, testemunha de tudo. Vendo o Tatau sem saber fazer para agradar, chamando ele de “paizinho”. Que lindo! E hoje ouvindo o Ita dizendo que jamais imaginava receber o papai na casa dele e fazer comida o tempo todo. É de arrepiar. Agradecido, ó Deus, é muito bom viver. Na verdade, foi esta a mensagem que escrevi hoje num qadrinho de criança exposto numa livraria: “To live is so good”.
Como ontem fomos dormir hoje (risos), ou seja, como fomos dormir por volta as 1h30 deste domingo, também acordamos tarde; na verdade, já é o terceiro dia que vamos domir tarde. Saímos de casa às 12h45 após um café preparado pelo Ita.
Inicialmente fomos ao aeroporto de Doha com o objetivo de conseguir de volta a blusa de couro que o Tatau doou para o papai e que esquecemos no aviao. Em vao. A atendente nos disse que nada foi encontrado e que seria possível abrir um processo de investigação; desistimos da jaqueta. O Ita, entao, acabou presenteando o pai mais tarde com outra blusa. Aqui no aeroporto observei que os taxistas permanecem aguardando passageiros dentro do taxi com o carro e o condicionador ligado devido ao calor. Também pude ver o sistema de irrigação do aerporto ligando e molhando grama e flores que muitas vezes fazem a gente esquecer que estamos em pleno deserto.
Depois daqui, fomos no Shopping para o papai comprar um presentinho pra dona Eugênia e para alguns familiares. Ao sair do carro, papai me perguntou se eu nao levaria uma blusa para o shopping, pois já sabíamos que era frio lá dentro. “Não paizinho”, respondi. “Se esfriar eu peço a blusa do senhor”. Ele me olhou por trás do óculos embaçado de gordura dos dedos e deu uma gargalhada gostosa.
Dentro do Shopping, deixamos o papai fora do alcance das camisas (risos), pois o homem nao pode ver uma camisa. Mesmo assim, comprou algumas. Ita e eu perguntamos por que esta para o Jair, pois estava escrito “Doha”, que é a capital do Qatar. “É para o Jair andar no peito com o nome da minha filha, sua esposa”, respondeu papai. Que perguntou: “Não está escrito Dorra?”. Imagine, foi risada que só.
Aproveitamos também para comprar algumas coisas no supermercados Carrefour. Dei uma olhada no panfleto de promoção e constatei que os produtos provém de diversos países, como Estados Unidos, Canadá, India, Turquia e até tem produtos do Qatar, é claro. Antes do mercado, passamos na lavanderia para mandar lavar e passar algumas peças de roupa, mas já estava fechada; agora, só abre depois das 14h.
Voltamos para casa para fazer o almoço e quem estava como chef? Sim, o mano novo Ita. “Quando que eu pensei em fazer comida para o eu pai assim deste jeito”, falou o mano. “E comida muito gostosa”, complementou o progenitor orgulhoso.
Separamos as roupas que nao precisavam passar e o Ita levou para lavar na máquina do seu apartamento; as outras deixaríamos na lavanderia. Durante este tempo, papai e Ita telefonaram para os familiares na Barra Velha e descobriram que a mamae tinha ido para Arroio do Silva com a Dada e a Dorinha. Papai ficou contente, pois a nossa mamae tinha ido para outros ares e isso, papai está confirmando, é importante para qualidade de vida do cérebro. Também papai disse que estava contente que o Nei havia ido pescar na Solidão com os pescadores da Barra e que haviam pescado pouco, mas bebido muito. Rimos quando um de nós comentou que o Nei nao poderia ir nem como junteiro porque só poderia fazer isso com uma mao, a outra estava ocupada segurando um litro de “uísque”. A gargalhada foi geral.
Alguns detalhes daqui. Uma frase que nós três nao paramos de dizer: “A rapadura é doce, mas é dura”. Outra: “Nao é fácil, mas também nao é difícil”. Outra curiosidade é que é impressionante como os Qatares gostam de celular, eles estao sempre falando com alguém ao telefone. Em quase todo lugar, encontramos conchas e perolas, como simbolo do pais, alem do camelo, e claro. Ela, a concha, me deu uma gostosa saudade do Caminho de Santiago.
Conchas e p'erolas sao encontradas em obras de arte na capital, Doha
Às 16h30 deixamos nossa casa com destino ao campo, onde teria trabalho às 17h, antes, passamos em uma lavanderia para deixar as roupas. Como o mano pegou algumas roupas antigas mal lavadas, acabou nao deixando nesta loja. Fomos para o campo.
Papai e eu ficamos descansando um pouquinho no carro, enquanto o Ita foi para o seu trabalho. Depois, fomos para as arquibancadas ver o jogo do Radife, categoria que reune os jogadores de todos os times do campeonato, mas só pode ser disputada por atletas que nao jogaram no último jogo. A rodada do Radife é sempre um dia após a rodada do jogo principal. Qual nao foi nossa surpresa quando vimos o Marcinho pronto pra jogar. Que legal, comentamos. Vamos ver nosso conterraneo jogar dois jogos, hoje e quinta-feira. Anderson, amigo de Marcinho, comentou que as vezes os jogos do Radife sao transmitidos ao vivo pela televisao.
No intervalo, o mano nos convida la de baixo a ir para casa. E o que fizemos. Antes, passamos na lavanderia para, enfim, deixar as roupas. Também num restaurante indiano onde o mano comprou frango, pao e saladas tipicas para o janar, que teve o amigo Jonas como convidado. Quando chegamos em casa, o Jonas ja nos aguardava.
Enquanto o Ita aprontava um peixinho pra papai, Jonas e eu nos atacamos na gostosa janta. Depois papai e Ita se serviram e todos ficamos satisfeitos. Depois de uma gostosa conversa, descobrimos que estavamos cansados e todos foram para suas casas. E antes das 23 horas ja estavam todos encaminhados para o descanso. Só eu que o faço agora, 23h31, ja que fiquei prazerozamente digitando este nosso segundo domingo fora de casa.

14 – (13/02/10) Doha (Sábado)
Como tínhamos ficado até mais tarde na sexta com a vinda de Jonas, treinador de goleiros do Qatar Sports Club, acabamos também nos prolongando na cama neste sábado. Levantamos já passva das 11h. Talvez o clima seco, o cansaço, o fuso, propicie para que fiquemos mais deitados, sei lá, esta é uma boa desculpa, nao acha?
Saímos de casa e me lembro que o tema do papai era que se sentia bem, com energia e cheio de vontades. O mano até comentou que ficava contente com isso e que achava que uma viagem assim causa isso, desperta o monstro adormecido. Ele até sugeriu para o papai pegar o xemplo dos europeus e de vez em quando dar uma volta com a mamae, seja na casa de um parente ou até se hospedar num hotel, como o Termas em Gravatal. Papai ficou pensando.
Só deixamos a nossa casa às 13h e fomos a um dos shoppings da capital, pois pretendíamos dar uma olhada num presente para a a mamae e aproveitar para amolçar. Assim fizemos. Para estacionar é aquela loteria, pois parace que os consumidores só andam de carro. O Ita falou que cansou de ver no verao os nativos deixarem seus carros ligados com o condicionador ligado para quando retornarem estar fresquinho. Até porque no verao, o calor chega a 45/50 graus Célsius.
Corremos muitas lojas, mas o Ita acabou nos levando em uma em que ele gostava. Nao deu outra. O homem que nao podia ver uma prateleira de camisa em Tenefife, para risos meus e do Tatau, aqui nao se aguentou e comprou logo seis. Sim, meia dúzia, uma mais bonita que a outra.
Às 14h30 fomos almoçar num restaurante italiano e às 15h10 deixamos o shopping, passamos em casa para pegar umas roupas do Ita e fomos para o campo, já que o mano teria que coordenar o treino dos atletas nao relacionados para o jogo de hoje à noite. Como estava atrasado, o Ita nos deixou na frente do estádio e já saiu logo, voltando um pouco mais tarde com os atletas para um trabalho no campo de treinamento. Até entao, papai e eu permanecíamos dentro do carro e eu aproveitiei para tirar uma pestaninha. Enquanto isso, pegui eu jornal de esportes árabe, entreguei ao papai e pedi para ele ler em voz alta para eu dormir. Risos.
Depois de alguns minutos, saimos de dentro do carro e fomos ver o trabalho do mano. Inicialmente ficamos um pouco mais longe, mas depois acabamos nos aproximando ficando poucos metros e pudemos ver a dinamicidade, a criatividade e a capacidade de treinar e brincar ao mesmo tempo. Mas tudo isso com a determinaçao e a força do mano novo.
Papai observa Ita treinando o pessoal do Qatar Sports Clube
Papai observa Ita treinando o pessoal do Qatar Sports Clube

Atrás da gente os profissionais do clube, agora, ligam um gerador de energia, só que movido a diesel. Nossa, aquele gerador fiocu ligado por quase seis horas gastando combustível e jogando uma fumaça preta para o céu; aqui, por enquanto, o combustível fóssil é como ar. Mas ao contrário deste, aquele têm seus dias contados. Estávamos ali quando encontramos outros brasileiros, treinador do time júnior e também o seu treinador de goleiros. Há 20 anos nos países da regiao, o treinador de goleiros disse que o que impressiona no Qatar é a sua religiao, pois 100 % sao islâmicas, única religiao do país. Outra questao que ele ressalta é a segurança, e que quando vai ao Brasil sente-se inseguro demais, pois já incorporou os hábitos tranquilos do país onde trabalha.
Terminado o treino, papai e eue demos uma volta no estádio atrás de um local para tomar um cafezinho. Enquanto isso, observávamos as pessoas que chegavam para asisistir aos jogos da noite, pois era uma rodada dupla. Sentamos num café próximo, pedimos dois cappuccino e logo chegaram Marcinho (ex-Cruzeiro e Flamengo) e um amigo, o Anderson. Começamos a falar de futebeol e acabamos no Cruzeiro, time onde Marcinho despontou no Brasil. Lembrei-lhe do jogo contra o time mineiro lá em Criciúma onde terminou o primeiro tempo e o Criciúma ganhava de 1 x 0 e na volta do segundo empo, o Luxemburgo trocou três jogadores. Incrível! Marcinho lembrou com detalhes do jogo e disse que foi um dos que entrou, marcando dois gols. Nossa, pensei. Além do Jonas, o goleiro que agarrava tudo, estou aqui com mais um algoz do nosso criciuminha. Rimos sobre a ironia. Ao comentar o número de torcedores sem a bata branca, Marcinho diz que se tratam de pessoasde outros países que trabalham em obras na regiao e que recebem para vir a campo para torcer para um time.
Papai observa a movimentação de torcedores em frente ao estádio
Papai observa a movimentação de torcedores em frente ao estádio
Deixamos o café em meio a uma gostosa conversa entre nós quatro, mas queríamos asistir ao jogo. De vez em quando, crianças nativas venham cumprimentar o Marcinho ou falavam o nome dele de longe. “Marcíliooo”, ao invés de “Marcinho”, pois segundo o atleta, eles têm dificuldade de falar o nome correto. Entramos por um portao VIP, embora tenhamos pagos QR 20 e sentamos num pequeno espaço com aquibancadas cobertas. O Ita, que estava nas poltronas, acabou vindo ao nosso encontro ficando ao lado do Marcinho, este ao lado do papai. Permanecemos aqui durante todo o tempo de jogo.
Ita, Marcinho (ex-Cruzeiro, Flamengo) e papai observm o jogo do Qatar SC
Ita, Marcinho (ex-Cruzeiro, Flamengo) e papai observam o jogo do Qatar SC
Talvez tivesse umas 800 pessoas em campa. Vai lá, no máximo, no máximo 1000, para um estádio talvez com capacidade de 15 ou 2o vezes mais. As torcidas nao tinham a suas charangas, só algumas bandeiras com as cores dos respectivos times. De vez em quando só se ouvia uma espécis e “olê, olê, Olê…” Mas uma torcida maior, só nos momentos de perigo de gol, nas jogadas mais agudas e nos gols. Os torcedores vibravam pouco, e os atletas que fizeram os gols, o Qatar ganhou de 3×0, menos ainda. Mas entre as duas torcidas contratadas (lembrei dos velórios onde sao contratadas pessoas para chorara, aqui é para torcer) ficava uma com roupas nativas o que deduzi ser do time local. Tinha um tambor nativo e um puxador de música num alto falante e nao parou durante todo o jogo. O Anderson explicou que os dirigentes fizerem estas “contratações” para deixar a partida mais emocionante na televisão, para combater a monotonia de antes. Uma coisa interessante que observei, foi que o manager do time fica nuca cadeira ao lado do banco de reservas e dá instruções e reclama tanto quanto o técnico.
Terminado o jogo, fomos para frnte do estádio e um dirigente que havíamos conhecido há dias, veio e dei um beijo no papai. Disse que estava contente pela vitória. É sempre assim ganhou, tudo é festa, perdeu, eles nem te enxergam, comentou Anderson. De volta para casa, era momento de prearar as coisas para o jantar, pois além da gente, o Jonas, o Marcinho e o Anderson viriam em casa para jantar. E foi mais umanoite agradabilíssima, com o Jonas assumido o papel de chef. Enquanto saia a comida, o grupo assitia o segundo jogo que estava sendo televisado e, depois, o reprise dos melhores momento da partida do Qatar. Foi uma noite gostosa, em companhia de pessoas, de seres humanos acima de tudo. Todos falaram, todos ouviram, todos se confraternizaram e, papai e eu, acabamos arrumando mais três amigos aqui em Daha. Afinal de contas, amigo do Ita são nossos amigos.
Jonas (ex-Avaí), treinadores de goleiro, o chef da noite; Ita, Papai, Anderson (um amigo) e Marcinho
Jonas (ex-Avaí), treinador de goleiro, o chef da noite; Ita, Papai, Anderson (um amigo) e Marcinho

13 – (12/02/10) Doha (Sexta-feira)
A sexta-feira para o árabe, é como se fosse o nosso domingo, por isso, neste dia, o nosso primo Zaga tirou um tempo para fazer dar umas voltas conosco, já que estava mais livre do seu trabalho. Quando papai e eu descemos do prédio, nos perdedemos, mas logo nos encontramos. Entramos no carro do zaga com a música de Zezé Di Camargo e Luciano “no dia em que eu aí de casa minha mae me disse vem cá…passou a mao nos meus cabelos”… Lindo! Olhando pra gente falou: “Vamos passear?”
Inicialmente, ele nos levou para conhecer o The Pier, um condomínio de luxo a beira mar executado em aterros dentro do mar. Existem muitos apartamentos e casas, todos a beira mar, de modos que as construções possuem suas praias particulares. Um luxo! Ele contou que o filho mais velho do Shaick maior do Qatar foi estudar na Europa e trouxe esta idéia do atrerro do mar e há seis anos o projeto está em franco desenvolvimento, já nos seus finalmente. Papai só dizia: “Pra nós que somos da mineraçao de Içara, quando que eu desconfiava que iria conhecer isto aqui”. E todos ríamos.
The Pierl, um resort luxuoso a beira mar
Entramos no carro e continuamos a conhecer melhor o país. Vimos uma capital em obras que papai até comentou que nunca vira tanto maquinário trabalhando. Pra todos os lado há obra. Eles comentaram, inclusive, que a tal de crise mundial sequer passou pelo Qatar; o país cresce como uma criança bem saudável.Aqui ainda continuamos ver as construções diferentes, como a de um Centro comercial com um prédio em zguezague pra cima. Aqui, as linhas tem muita curva, mas neste prédio elas nao existem, mas o visual é surpreendente.
Olha só o detalhe das torres gêmeas do Qatar?
Uma coisa interessante que obsetvamos, das muitas, sao os jardins florios e lindos, as palmeiras nas cidades e em pleno deserto, as poucas plantações de verduras, enfim, tudo regado por água acionada eletronicamente e que que chega por intermédio de canalizações perfuradas pelo menos três vezes ao dia. Impressionante! Vimos até um dos melhores campos de golfe do mundo, com competições anuais, está no deserto do Qatar.
O país é um canteiro de obras
A mao de obra para tocar todas as construções vêm de países estrangeiros com India, Paquistao e Egito. A cada semana chegam mais e mais trabalhadores que sao os únicos que realmente trabalham no pesadol, pois os Qatares trabalham mais no leve e só das 7h às 13. A moeda local é o Real Qatar que vale 50% do Real brasileiro. E o interessante é que a gasolina custa QR 0,65 e o litro de água QR 1,50, ou seja, é mais barato a gasolina do que a água, acrdita? A água que usamos no banheiro e na cozinha é fruto de dessalinização em alto mar, mas a potável só mineral, embora os nativos tomem a água oferecida pelo governo.
No meio do derto, longe de tudo, perto da terra árida, uma vila
Em nossa viagem passamos por muitas vilas com suas casas de dois pisos; de um lado esta terra branca cheia de pedra, de outro lado também, enfim, no meio do nada está uma comunidade. Nao se vê uma árvore se quer. Mais na frente, um oásis, uma “fazendinha” com muitos arbustos verdes e árvores, tudo cultivado com aquele sistema de mangeiras. A água é levada para as casas por caminhoes pipa que encontramos muito. O que nao vimos por aqui foi farmácia, faixa de segurança para pedestre, pois parece que inexistem, embora tenhamos visto alguns ônibus importados do Brasil. Aqui existem muitos carros e quase nenhum velho.
Zaga, a esquerda, e pai na frente do forte
Às 11h38 chegamos a Al-Khor capital mundial do gás. Aqui percebemnos uma obra vultuosa, que é a construçao de um metrô que liga Qatar ao Barém, sendo que cada país costroe a sua parte. Custo total da obra: US$ 17 bi. Dentro do carro mesmo, ligamos pra Tatau para saber como estava e falar das nossas novidades. Enquanto viajávamos por aquelas quentes estradas asfaltadas, falávamos sobre noss vida na mineraçao de Içara, sobre nossas ligações familiares. O Zaga lembrou da importância de passar creme para nao ressecar a pela e de usar oculos escuro por causa do sol forte. Tinha razao, embora deixei o meu no Brasil.
Conta a história local que Scheik Emir Kalifa Altani, filho do Scheik Hamad Kalifa Altani, deu um golpe no próprio pai por avaliar que o pai estava atrsando o pais. Tomou o poder e enviou o pai para a Inglaterra há anos, mas agora, com os 90 anos do pai, o trouxe novamente para o Qatar. A partir daí o país afixou a placa na porta de entrada: “Em obras”. São 12h35 e alcançamos Shamal, onde descemos para comprar água, suco e até o papai tomar o pó nutridor dele, o tal de “cheique”. Minutos depois, estávamos no forte, a beira mar, que foi um local de resistência e de segurança para o país nas guerras passadas.
Às 13h25 retornamos para Doha por outra estrada. Vimos muitas famílias fazendo piquenique em baixo de pequenos arbustos ou até mesmo grandes reuniões em pleno deserto, para isso, é só armar barracas e a festa está pronta. Que incrível.
Tendas armadas em pleno deserto
Nesta viagem vimos muitos camelos, alguns mais dóceis e outros nem tanto. Continuamos viajando e o Zaga sempre com informações interessantes, já que ele mora aqui há 11 anos. Uma delas é que no Ramadan, o goverto do Qatar sorteia famílias que tem suas dívidas perdoadas.
O camelo do deserto do Qatar
Ao falar sobre política e esporte no Brasil, o Zaga toca no nome do Coutinho, que trabalha em Criciúma. Disse que tinha o número de telefone dele e em seguida completamos a ligação que durou quase 15 minutos; estávamos no deserto, no interior do Qatar falando com um conterrâneo em Criciúma. Nao é interessante?
A velocidade máxima na autoestrada é de 120 km/h e toda vez que se ultrapassa esta velocidade, uma sirene interna toca, alertando o motorista.
Novamente vem no grupo a lembrança de que até há pouco tempo estava correndo em cima da pirita chutando uma bola de pano na Mineração (bairro Aurora, em Içara) e que agora estávamos todos reunidos do outro lado do mundo. Perto das 15h estávamos de volta.
Chegamos em casa e começamos o almoço e, pela primeira vez desde que deixamos o Brasil, papai iria comer o seu prato preferido: feijao, aquele preparado com carinho pelo primo Zaga. Às 16h30, saímos de casa com o Ita para acompanhar o treino do Qatar Sport Clube. Enquanto o Ita se preparava para trabalhar, papai e eu resolvemos dar uma volta para conhecer mais e melhor o estádio. Interessante, além das palmeira e dos jardins floridos, é que o estádio nao tem cobertura, mas, quando necessário, há uma com lona plástica; como os jogos sao sempre a noite e nos finais de tarde e quase nao chove por aqui, pouco se usa esta possibilidade. Neste périplo, ainda observo quatro árames a caráter conversando alegremente ao lado de uma espécie de churrasqueira com fogo, só que ao invés da carne tinham quatro grandes chaleiras que, deduzi, serem para chá.
Jardim do portao de entrada dos jogadores no estádio do QSC
Descansei um soninho sentado numa poltrona e depois fomos acompanhar o treino que foi comandado pelo Lazaroni para os jogadores que iriam jogar no dia seguinte, e pelo Ita aos jogadores que nao foram escalados. Já de sa;ida para ir embora, observei um atleta da equipe puxando um tapete, colocando-o no chão e ali mesmo, na frente dos transeuntes, orava ojoelhado.
Chegamos em casa e logo em seguida chegou o Jonas, um ex-goleiro da Caçadorense e do Avaí que trabalhou também em outros clubes do nosso estado. Ele é o treinador de goleiros do QSC e muito amigo do Ita. Conversamos com bons capricornianos, ele, papai e eu. Falamos sobre a vida, sobre futebol, política. O Ita fez o jantar enquanto nós papeava uma conversa ssuper agradável que varou a noite, se encerrando perto da meia noite, ora local. Foi muito boa a nossa conversa e a oportunidade de reencontrar o Jonas, que junto com o centroavante Zeca, ambos da Caçadorense, tiraram o sono de muitos torcedores do Tigre. Rimos muitos. Como é bom encontrar seres humanos que falam a nossa língua, a linguagem do coraçao. Fui dormir tarde, por isso só posto nosso cotidiano com um dia de atraso.
O final de tarde em Doha, capital do Qatar

12 – (11/02/10) Doha (quinta-feira)

Papai recebe "papinha" direto na cama; queria que o Ita desse na boquinha também. Acordamos as 9h40, hora local, com o Ita trazendo café na cama. Neste momento é que pude ver melhor o local onde estávamos. Nosso apart hotel fica estrategicamente colocado numa bonita visão onde pudemos observar a cidade que se vai até onde a vista alcança. Abaixo da nossa casa tem piscina, academia e uma excelente infraestrutura. Na cidade, muita máquina trabalhando, na verdade, a primeira impressão, a cidade está em eterna obra.
A terra é branca e árida, característica do deserto, mas á temperatura não está assim tão quente. O dia só está começando e queremos aproveitar cada momento por aqui.
Visao da janela onde estamos hospedados
Às 11h12 deixamos o apartamento para dar uma volta na cidade encontramos um clima fresco, sol tímido. Como sou friorento, até dava uma sensaçao de friozinho do nosso inverno.
Viajo no banco de trás do carro e vejo um país de contrastes, onde os enormes arranhacéus vem não tão harmonicamente assim com a tradição cultural; mas, pelo que sinto, este está sendo aniquilado por aquele. Será?
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Constrções modernas num país jovem
Viajamos a uma velocidade máxima de 80 km/hora num trânsito de muitos sons de buzinana e corte de frente, além de manobras ilegais. Não está certo nem errado, é assim e pronto!
Fomos conhecer a beira-mar, local muito bonito, onde deu para ver melhor a cidade e até barcos de pesca e de passeio.
Um pouco dos costumes: A maioria das placas por aqui é em árabe e em inglês. O homem pode casar com até quatro mulheres desde que possa sustentar as quatro e tudo que der a uma terá que dar pra todas. Será que a mulher pode fazer o mesmo? As mulheres solteiras usam burca também, que é aquela manta sobre o corpo, mas nao usam nada para cobrir o rosto, ao contrário das mulheres casadas. Mas em ambas, consegui perceber que usavam pintura no rosto, que é, talvez, uma das formas de se dizer mulher. Mesmo que ninguém possa ver, elas vêem.
Sours, o mercado público de Doha
Fomos no Sours, que é uma espécie de mercado público, onde encontramos quinquilarias, lembrancinhas, homens sentados num banco diferente fumando “Chicha” (acho que é assim que se escreve); entramnos em corredores que eram verdadeiros labirintos. Aqui o sol já estava forte, mas nem tanto como esperávamos.
Depois, escutando músicas nativas em uma das rádios locais, fomos para o City Center Shopping, onde compramos alguma coisa para o almoço, que novamente foi alquimizado pelo cheff Milton. Aqui, a grande maioria dos produtos é importado, inclusive vi muitos da Sadia.
No shopping, encontramos muitas pessoas e duas coisas me chamaram a atenção: as mulheres com burca – as solteiras sem lenço no rosto e as casadas com lenço -, mas ambas se pintavam. Fiquei pensando que mesmo as que se escondem quere se mostrar pra si, que legal. Outra coisa que me chamou a atenção foi a pista de gelo existente no térreo do shopping, numa posiçao estratégica para que está fazendo compras; gelo no deserto, quem diria!
Depois, fomos pra casa e o Ita fez legumes, purê e salmon com alho e óleo, uma delícia. Na sequência, conversamos um pouco, descansamos e nos preparamos para ir conhecer o trabalho e os colegas de time do Ita. Nossa, como é bom estar aqui.
Gelo no deserto
Às 16h30, depois de tomar uma vitamina que o Ita fez, saimos para o treino do Qatar Sport Club, no Sahaim Bim Hamma Stadium. Aqui encontramos toda a comissão técnica, a comecar pelo ex-técnico da selação brasileira, Sebastião Lazzaroni, alguns jogadores e até dirigentes. Um deles, inclusive, o papai deu um presente (camisa da selação brasileira), que foi quem contribuiu para que papai tivesse o visto de permanência no pais.
Enquanto o Ita conversava sobre trabalho com o Lazaroni, papai e eu saímos a conhecer melhor o estádio e começamos pela sala de troféu, de fotos. Encontramos uma construção moderna, nova e bonita; realmente uma infraestrutura excelente, até com área reservada a famílias. Aqui próximo vimos uma movimentação diferente no ginásio do clube, foi quando percebemos que ocorreria um casamento logo mais, para o qual até fomos convidados.
Era momento de conhecer o gramado do estádio que papai fez questao de se baixar e tocar, pois ele entende do assunto. Também percebemos que o estádio não tem foço, mal uma cerca de cano, sem nenhum alambrado.
Martinho bota a mão na grama do estádio
Enquanto observávamos o aquecimento e o treino da equipe, percebi que aos poucos, vários homens com as vestimentas tradicionais chegavam e acompanhavam também os trabalhos. Alguns até se comprimentavam encostando duas vezes um no nariz do outro, e outros – mais jovens – beijavam em baixo do nariz dos outros – mais velhos. Perceboi que a relação entre os homens é bonita, pois parece que existe homo-afetividade.
Ao finalizar o treino, conversamos com outros dirigentes e jogadores e, antes de ir para casa, passamos no supermercado para comprar mantimentos para a janta que, novamente, ficou por conta do chef MILton que levou a nota MIL. Inclusive esperamos o Zaga, nossa primo que também vive aqui, para iniciarmos nossa refeição. Outro fato interessante é que nao se vende bebida alcoólica nas rua e nem nos mercados; para isso, é necessário ter uma liberação do governo.
Passava das 22h quando o Zaga chegou aqui em casa e logo o Ita serviu à mesa. O jantar estava uma delícia, mas o mais gostoso mesmo foi o nosso papo sobre a nossa origem, a Mineração de Içara, antiga Mineração. O Zaga ainda quis saber mais alguma coisa sobrte o seu pai Sebastião, que ele não conheceu, pois faleceu quando ainda era criança. E todas as interrogaçoes era respondidas com profundidade de quem havia convivido com seu pai. O Zaga brilhava e todos nos emocionamos. Que coisa! Papai vem lá do Brasil para falar do pai do Zaga que ele não conheceu. Parece uma “encomenda” dos anjos protetores, dos bons espíritos que fazem rearranjos das coisas do bem. O que mais está reservado pra nós?
Agora sao 00h20 aqui em Doha e faço uma retrospectiva do dia. Uma coisa que marcou foi que volta e meia o papai falava: “A mãe agora está acordando”, “a mãe agora está almoçando”, “a mãe agora está descansando”, o que achei bem legal esta sintonia. Finalizo o dia agradecendo aos amigos pelas manifestações e emails postados ou nao. Um bom caminho a todos.
Papai no estádio do Qatar

11 – (10/02/10) Madri a Doha
Um pouco depois das 7h estávamos fazendo o check in na Qatar Airways e já percebemos o tipo físico diferente dos notivos residentes no país que estávamos viajando. Mostramos o nosso visto em árabe, mas a atendente chamou sua chefe, que solicitou a impressao em inglês. Esperamos mais uns 10 minutos e tudo certo. É só embarcar, mas ainda é cedo, temos quase duas horas para isso.
Andamos pelo aeroporto fazendo hora em todas as lojas que estava abrindo até que fomos para a imigração, onde tivemos que deixar duas garrafas de suco, coisa que não entendi, pois na lanchonete a 30 metros vendiam os mesmos sucos. Papai tomeu café e eu novamente chá com uma gostosa bolacha salgada, também presente do Tatau. Enquanto lanchávamos vimos o imenso tamanho do avião que nos levaria para o Qatar. Lá fora, mesmo que perto das 8h, ainda é noite e o sol avermelhado, tímido, aponta no horizonte.
Novamente mais voltas por lojas só para passar o tempo e conversamos sobre a recepção do Tatau e da Etelina e da importância desta viagem pra nós três.
Demos algumas voltas pelas lojas do aeroporto e antes das 8 horas tinhamos passado a imigração, a polícia e estávamos sentados tomando café com bolacha salgada. Bem pertinho, o aviao grande da Qatar Airwyas que nos levarai ao encontro do outro mano.
Novamente andamos pelas lojas dos aeroporto, assistimos televisao e por volta das 10h estávamos dentro do avião e uma hora mais tarde deixamos a capital espanhola. As aeromoças de diversas nacionaludade trajavam uma roupa de cor bordô e um boné tipo os antigos melicos, que parecia uma canoa.
Aqui nos alimentamos bem, pois nos foi servido dois lanches e o almoço. Até tomei vinho tinto do Chile.

Ita e Zaga na nossa recepção em Doha

Dormimos um bocado, conversamos outro e assistimo televisão. Assim íamos nos entretendo até que papai disse que estávcamos passando pelo deserto. Eu olhei rapidamente e disse que se tratava de nuvesm o que fui confrontado pelo meu pai. Ele tinha razão, eram areias do deserto.
O tempo foi escurecendo até que começamos a perceber luzes, água, prédios altos e uma cidade. Estávamos autorizados a aterrissar em Doha, que nos esperava com 19 graus célsius e, três minutos antes do previsto chegamos. E logo fomos para o setor de imigração, onde passamos sem nenhum problema. Lá fora o Ita nos abanava e foi abrançando o papai e dizendo: “A bênçao, pai”. Em seguida apreceu o Zaga, um primo que trabalha no Qatar há anos. Ele quem se encarregou de fazer o feijao que o papai adora e que foi encomendado pela dona Eugênia, minha mae.
Ita na cozinha fazendo o nosso jantar

Conversamos um pouco com o Zaga e logo nos despedimos, pois ele tinha um compromisso. Marcamos de fazer alguma coisa junto nestes 10 dias no Qatar. Depois fomos pra casa, um apart hotel com quatro torres e uns 30 andares, mais ou menos, porque realmente nao deu pra contar.
Nos instalamos num apartamento de luxo, pai num quarto, eu em outra, cada um com sua suite, e o mano Ita como vizinho.
Ele, inclusive, fez a nossa janta de recepçao. Um amor este meu irmao. Depois, além de lava a louça, foi ligar para os familiares no Brasil para confirmar: estamos cansados, mas estamos muito alegres e felizes também. Papai foi dormir antes, Ita depois e eu, às 1h45, agora que vou descansar, praticamete sem dormir direito desde a noite retrasada. Um beijo e em frente!
Seu Martinho se preparando para o merecido descanso

10 – (10/02/10) Tenerife a Madri
Foi só o tempo de fechar a minha mala e o pessoal da casa levantou, todos de olhos vermelhos por quase nao descansarem. Mesmo assim, Etelina manteve-se acesa até sairmos e o Tatau ficou até nós entrarmos para a sala de espera.
Saimos de casa era 1h14, com Etelina dizendo que iria para o Brasil em dezembro, e as malas já estavam no carro, pois o Tatau providenciou isso. Tomamos um café forte para enfrentar a madrugada e fomos para o aeroporto do Sul que é tao grande quanto o do norte, que foi por onde chegamos.
As 1h40 já tinhamos feito o check in e papai e Tatau voltaram a tomar café, eu preferi um chá, pois estava preocupado com os roncos estranhos da minha barriga.
Faltava dez minutos para as duas horas da manha, passamos na imigraçao, sem antes passar por aquele ritual de tirar cinto, sapatos, blusa, mochila, enfim, mas é assim mesmo. Nao tem nem que se estressar.
O legal é que nos abraçamos e lá ficou o meu irmao mais novo, o nosso Tatauzinho. Um anfitriao muito querido e amado. Brinquei com ele em espanho: “Vale!” E ele logo entendeu e respondeu: “Venga!”
Antes das 2h o portao de embarque já estava aberto e às 2h12 já estávamos sentados na poltrona 23 A e B do aviao. Faz calor, mesmo aqui dentro, por isso papai e eu levamos nossas blusas nas maos, papai com uma a mais presenteada pelo mano.
Conversamos um pouco e papai preocupado em confirmar se havia comprado presente pra todos. Eu sugeri a ele que comprasse um presentinho especial a mais para a Dada, nossa irma mais velha, que está cuidando dos nossos pais. “Tens alguma sugestao?”, perguntou ele. “Sim, tenho papai”, respondi. “E qual?”. “Uma bíblia em inglê. Ela vai adorar”. Nos olhamos e caimos na gargalhada.
Aproveitei para continuar lendo o livro do rabino Nilton Bolnder, intitulado “A arte de se salvar”. Às 2h45 deixamos a ilha de Tenerife com um comentário de meu pai: “A ilha também é bonita a noite”.
Nos recostamos nos desconfortáveis bancos das classes econômicas dos avioes, em vao. Quando percebemos já estávamos em Madri. Eram 5h10, horario local, com uma hora a menos de diferença. A aterrissagem do piloto foi tao boa que os passageiros aplaudiram.
Tivemos um desencronto para saber exatamente onde pegar as malas, e nos dirigimos de onibus do terminal 1 para o 4, de onde sairia o nosso vôo quatro horas mais tarde. Esta saída do aeroporto foi muito gelada, só aqui sentimos o frio da madrugada madrilenho, a sorte que já estávamos preparados.
Enquanto nos deslocávamos de ônibus, papai, sensível, aponta para a lua minguante no céu. Queríamos resolver toda a situaçao da viagem para depois lanchar. Assim fizemos.

9 – (09/02/10) Tenerif (terça-feira à tarde)
Por vlta das 13h chegamos a Vilaflor, a comunidade na maior altitude da Espanha. Paramos para almoçar no Restauante ” La paz”. O nome veio a calhar, pois era o que seniamos, paz. Papai comeu uma sopa com suco de manga; Tatau e eu frngo grelhado com uma jarra de vinho local. Uma delícia. No almoço falamos sobre a nossa família e, principalmente, sobre o falcido Joaquim Mendes. Um senhor grisalho, bigode grande a mostra, vascaino como ninguém e que passou para outra existência na mesma idade atua do papai: 74 anos.
Foi o ganho que papai precisava para dizer que recentemente traçou três metas e estava cumpindo a risca: construir a capela mortuária da família no cemitério de Içara, viajar para ver os filhos fora do Brasil e a terceira seria arrumar os dentes. Só faltava esta, mas que iniciaria tão logo que chegasse ao Brasil.
Às 14h03 estávamos novamente de volta ao asfalto; estávamos no extremo sul da ilha e íamos ao extremo norte, ou seja, atravessaríamos toda a ilha para papai fazer algumas compras. Queria garantia presentes para todos. “Algo simples, mas quero levar alguma coisa para todos”, comentou. Na carretera principal, as vezes até com 4 pistas, Tatau não baixava da velocidade permitida: 120 km/hora. Observamos muitos pés de oliveira floridos na beira da estrada. Papai também observou que não tínhamso visto nenhuma sinaleira e quase nenhuma moto. Às 15h40 chegamos a Porto Santa Cruz e corremos um pouco para estacionar. Andamos um pouco, até encontrar um supermercados. Entramos para comprar algo para comer e encontrei o suco Caribe, da marca Pacoal, com uma mistura de abacaxi com coco, o mesmo que Beto Colombo e eu curtíamos no Caminho de Santiago de Compostela. Não deu outra, a saudade do amigo, do caminho me trouxe uma vontade de levar pelo menos uma caixinha para fazer surpresa. Que sabe?
Sem pressa e descontraidamente, começamos a andar pelas ruas com as lojas abrindo – das 14 às 16 h as lojas fecham as portas para a cesta – e papai comprando uma coisa aqui, outra ali. Até eu me animei a comprar uma lembrancinha de Tenerif, pois onde vou sempre gosto de levar algo, e uma caixa de charuto local. Eu não fumo, mas sempre que fumo charuto è porque estou muito bem e alegre.
É surreal estar aqui numa montanha vulcânica om mar e neve
Para não perder o costume, o pai visitou duas igrejas no centro de Santa Cruz, a última de São Francisco. Muito bonita e aconchegante, com meia luz e cantos gregorianos. Andamos muito e às 18h06 já estávamos dentro do carro de volta para Los Cristianos, sul da Ilha, onde estávamos hospedados. Papai até comentou que tínhamos acordado cedo, viajado o dia todo, mas que não estava tão cansado quanto o dia anterior. Mesmo decansado, deu umas “pescadas” na viagem de volta pra casa. Eu também.
Lá íamos nós e eu observando o por do sol a nossa frente, e, no banco da frente, o mano que nos recebeu tão bem. Mudei o conceito de que ilha é uma porção de terra cercada de saudade por todos os lados. Já perto de casa, Tatau comentou conosco que havíamos feito 550 quilômetros só hoje e que pegaria a sua namorada no trabalho. Etelina disse que teria que arrumar a mala, pois amanhã viaja para o Estados Unidos e que, por isso, não poderia ir jantar conosco. A deixamos em casa e fomos para o centro de Los Cristianos inicialmente procurar um restaurante Chinês, mas como o pai não gostou, fomos a um italiano.
O Tatau pediu um filé, eu uma massa com fruos do mar e o papai um pizza quatro queijos. Quando chegou o pedido do papai, rimos muito, pois era uma pizza grande só pra ele, que come igual a um passarinho. Tomamos um vinho de Navarra, de nome Yllera, muito bom por sinal. Enquanto jantávamos, o Ita ligou dizendo que está tudo certo no Qatar e que nos agarda ansioso; e nós curtindo cada momento com o Tatau e, é claro, um pouco ansisos também.Olha só o tamanho da pizza de quem tem um estomago pequeno?
Jantamos, e fomos até um galpão onde o Tatau guarda seus equiamentos de trabalho e algumas jóias de quando ainda vendia para os turistas. Acabou nos presentendo para levar para o parentes no Brasil, afinal de contas, mulher não falta em nossa família. E homem também, é claro.
Chegamos em casa já passava das 22h e o Tatau e o papai foram escolher as joias para levar, enquanto eu, seu servo, me debrucei para deixar o pessoal que acompanha informado do nosso dia. Agora sao 00h23 e estou terminando, pois vou fechar a mala, tomar uma ducha e ir para o aeroporto, pois nossa voo para Madri sai de Tenerife às 02h40. Agradeço as mensagens e desejo a todos um bom caminho. Amanha relato a nossa viagem de Tenerif e Madri e de Madri para Doha, no Qatar. Amo a vida, amo vocês!

9 – (09/02/10) Tenerif (terça-feira pela manha)
Acordei, despertado pelo Tatau, às 08h20. Lá de cima ouvi papai comentar:”Nossa, como dormi bem esta noite”. Enquanto Tatau lvava Etelina ao trabalho, acordamos, tomamos banho. Às 9h30 já estávamos na rua com sol a pino e céu aberto, mas estava fresquinho- “Hoje vamos conhecer melhor a ilha”, disse o Tatau nos dando uma blusa cada um. “Nossa, uma ilha, verao e o mano nos dá uma blusa quente?”, pensei. Mas ao mesmo tempo resolvi aguardar.
Começamos a subir morros e observar melhor a ilha sem chuva e de cima. Vi muitas construçoes modernas e bonitas e um monao de gente na rua, todos europeus, pouco espanhol; muitos italianos, franceses, alemaes. Sao turistas que fogem do frio europeu para o clima ameno também europeu, só que em Tenerife. Mano Tatau comenta que atè há poucos anos as agências de turismo fechavam pacote com os turistas com seguro de chuva; se chovesse eles devolviam o dinheiro integralmente, já que chovia pouquíssimo na ilha. Ao contrário de hoje. Viajando pelas ruas vejo muitas pessoas da terceira idade, cabelos brancos com bengala, cadeira de rodas, mas na rua, no movimento, na vida.
Chegamos depois das 10 horas em Porto Cólon e a temperatura marcava 19 graus Célsius; chegamos ao centro da ilha. Aqui curtimos um clima gostoso a beira mar, com muitos barcos ancorados em uma das marina do sul da ilha. Depois disso, às 11h10, iniciamos nossa viagem ao monte Tiade, 40 quilômetros distante, “um lugar especial”, comentou o mano. É um clima de serra, destes tipo a Serra do Rio do Rastro, com uma temperatura, agora, de 15 graus.
Em Porto Cólon curtimos a beleza da beira mar
Paramos no restaurante “Las estrellas” para um lanche e o terometro marcava 15 graus; tanto papai quanto eu entendemos porque o Tatau havia emprestado das blusas. Na subida, observamos uma paisagem assaz interessante, pois nao havia terra, era só pedra, lembrando um ambiente lunar. O que quebrava um pouco eram os eucalipto e pinos plantados ao longo de todo o monte. Atingimos os 14 graus e o frio aumentava. Aquilo me inquietava, pois eu estava no verao e numa ilha no oceano atlântico, muito diferete pra mim. Mas nem por isso, deixei de curtir cada momento. Subimos rindo, brincando, contando piada, nós três deixando as nossas crianças fluir; aqui nao existia mais pai, filho, irmao mais velho, todos numa horizontalidade infantil. Que gostoso. Que bom nos oportunizarmos isso; quando a gente se abre para a vida, a vida se abre para a gente.
A cada curva, Tatau explicava que aquela era uma regiao diferente, pois há dois milhoes de anos vários vulcoes mexeram e remexeram com tudo e as rochas ficaram todas como que bicudas e pontiagudas; papai e eu lembramos do carvao coque, comum em nossa regiao. E o ambiente lembrava muito Siderópolis, só que na cidade catarinense é resultado da intervençao do homem que deixou um traço de destruiçao, aqui é a generosidade da natureza. Incrível que vários filmes foram rodados aqui, tanto documentários, açao como rligiosos, como “Moises”, “Planeta dos mcacos”. Aos poucos íamos vendo o Monte Taide, que lembrou o Monte Ilimany, em La paz; e aquele visual embrou o Vale de La Luna, na capital boliviana. Antes do Taide, chegamos ao Monte Chaharra, que teve sua ultima erupçao por 90 dias em 1978.
Aos poucos observávamos o Monte Taíde com seu pico branco cheio de neve. Isso! Incrível, mas é verdade, neve a beira mar, quase. Íamos encarando aos poucos aquela imponência e a vontade era de ir até o topo, mas qual nao foi nossa surpresa quando os guardas florestrais fecharam o acesso de carro por deslizamentos. Como papai nao poderia ir a pé, nos contentamos em olhas de bais. ” que pena”, comentou Tatau. “Tudo bem”, comentamos. “Fica para a próxima vez que viermos”. Deixamos aquele local que é comparado somente com o Grande cannyon, em Utha, nos Estados Unidos.
Papai e Tatau no topo do Monte Taide com seu pico com neve
Às 12h40 deixamos o Parque ouvindo o papai dizendo que estava muito alegre por estar ali, pois ” coisas que nunca havia pensado em conhecer já tinha conhecido”. E foi mais longe: ” Contado, nao se acredita. Eu só acredito porque estive aqui”.

8 – (08/02/10) Tenerife (segunda-feira)
Nosso vôo estava marcado para chegar às 15h40 e chegou 30 minutos antes, tanto é que até o Tatau chegou 5 minutos depois de sairmos do setor de malas. Logo nos encontramos.
Pegamos nossas malas e fomos para fora do aeroporto quando pudemos constatar a chuva fina e o frio que fazia na cidade. Do aeroporto, que fica no lado norte da ilha Tenerife, até o sul, onde o Tatáau mora com a namorada Etelina, foram mais de 60 minutos. Ainda mais que paramos para comprar, enfim, o barbeador do meu acompanhante e tomar um cafezinho. Acho que ele ficou com medo, pois disse-lhe que não viajava com homem que não faz a barba (RRRRrrrrssss….).
Durante a viagem, o mano explicou que Tenerife é uma ilha vulcânica que foi rota de passagem dos desbravadores das Américas. Que tem cerca de 2 milhões de habitantes (boa parte flutuante) e que 60% da economia está baseada no turismo, 15% da construção civil, uns 10% da agricultura (banana, abacaxi, mamão) e até pesca: embora a ilha também tenha uma taxa de imposto inferior as outras cidades da Espanha. Pela proximidade da África, que é de cerca de 100 quilômetros, há muita chegada de imigrantes ilegais que se aventuram uma semana no mar e até ventos com partìculas poluidoras trazendo doenças para a agricultura local. Por isso, boa parte dela é toda protegida com telas de sombrite. As ilhas Canárias são formadas por 7 ilhas, sendo que Tenerif é a maior delas; aqui algo me marcou: a velocidade máxima permitida é de 120km/h e em toda a ilha há quatro radares.
Tatau (esq.) e papai Martinho, a direita, nas ruas de Tenerife
Chegamos em casa e fizemos o reconhecimento do local; papai ficou num quarto em baixo e eu em cima, pois a casa tem um bbonito terraço com uma bela vista. Enquanto tomávamos banho, recebemos a ligação telefônica do Ita e ligamos pra casa, no Brasil, para dar as boas novas. Às 18h30 já estávamos novamente na rua, agora curtindo o pôr do sol da cidade numa praia de areias brancas, areias estas trazidas de África de navio.
O abraço amigo e saudoso de pai e filho nas praias do sul de Tenerife
Dali, fomos jantar em um restaurante onde Etelina, a namorada do Tatau já nos aguardava. Tomamos duas garrafas de vinho local – um branco e um tinto -, muito gostoso por sinal, comemos peixe fresquinho, resultado do trabalho dos nativos. Rimos muito, conversamos outro bocado e por volta das 21h estávamos de volta em casa. Aqui, tomamos café, conversamos um outro tanto, sempre com alegria e descontração e antes das 22h todos já tinham ido pra cama, exceto eu que, acompanhado da gostosa música da Rádio Criciúma na intenet (meu irmao ouve direto), vou escrevendo este meu relatório. Amanha, terça, teremos um dia cheio de emoções por estar aqui na Europa, papai, Tatau e eu, curtindo a nossa família e resgatando, de certa forma, a relação entre os homens. Já passam da uma hora da madrugada e vou descansar.
Etevina, namorada do tatau, papai (a esquerda), Tatau e este servo (a direita): um brinde à vida

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7 – (08/02/10) Madri a Tenerife
Chegamos em Madri, capital da Espanha, com seis graus Centígrados, chovendo e passamos pela imigração sem nenhum problema. Pegamos um ônibus verde do Terminal I para o IV, distância esta que deveria ser com este transporte, haja vista ser realmente muito distante. Fiquei mais uma vez impressionado co o aeroporto de Tarados.
Chegamos no balcão da Ibéria e perguntamos onde deveríamos ir para fazer o check in e todos respondiam que deveríamos fazer o auto Check in. Inacreditável, mas não teve jeito, mesmo com sensação de estar tirando o lugar de um profissional, tiramos nossas “tarjetas del equipaje e del viagen”, ficando só o despacho das malas propriamente dito para o guichê da empresa.
Depois disso, era momento de passarmos novamente pelo rígido controle policial, tanto é que papai teve que tirar o cinto e até os sapatos. Enfim, entramos tranquilamente no aeroporto. Como tínhamos um tempo, fomos procurar novamente barbeador, em vão. Aproveitamos para ir ao banheiro e fazer um lanchinho. Papai todo prosa, quis pagar a conta com reais, o que custou para entender que já não estávamos no Brasil. Aproveitamos também para ligar para o Tatau e tranqüilizá-lo. Nossa maior preocupação era que estávamos chegando perto das 13 horas e não tínhamos ainda o portão exato de embarque,pois poderia ser o J, o K e o L. Às 12h55 confirmamos ser o J e logo nos dirigimos e embarcamos.
Saímos no horário previsto, 13h50. Papai estava cansado e chegou até a ressonar (não vou dizer roncar). Tomou um suco de pêssego e novamente se entregou para os braços de Orfeu.
Por volta das 15 horas o comandante avisa que estávamos fazendo os trabalhos que antecediam a aterrissagem e que esta já havia sido autorizada. Em seguida pisamos no solo chuvoso e frio desta regiao atípica na Europa.
Ao fundo, o sol ilumina o nosso encontro.

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6 – (08/02/10) De Sao Paulo a Madri
Fomos uns dos primeiros a entrar no aviao, nas poltronas 28 A e C. Começamos a reconhecer o territòrio com mùsicas, filmes, brindes, revistas. Nos entretemos um bocado. Tentei falar para as aeromoças da situaçao alimentícia de meu acompanhante, mas as aeromoças dissram qe deveria se comunicado dois das antes, mas, como a primeiraclasse nao estava lotada, deveria ter muita opçao de alimento para oferecer a ele. E isso realmente aconteceu.
Antes da decolagem havia sintonizado num filme intitulado “Menina de Ouro” que nao conseguir chegar até o final, pois truncou. Lembro-me de uma frase: ” As vezes o melhor jeito de dr um soco é dar um passo pra trás¨. O filme tratava de uma menina que ficou famosa lutando boxe.
As 21h05 fecharam a porta da aeronave e só decolamos 30 minutos depois. “Como ébonita a noite daqui de cima”, comentou papai. Eu tive que concordar com ele. A nossa frente iam dois brasileiros, atrás duas espanholas e ao lado um jovem da Turquia. Antes de servirem o jantar, as aeromoças que estavam a par da situaçao do papai, me sugeriram trocar de poltrona antes do jantar pra eixar o papai mais livre em duas para dormir melhor. Assim fiz. Mas fui para duas filas atrás e ficava sempre olhando o movimento do nosso velhinho.
Veio a janta. Papai pediu carne, mas nao caiu bem. As aeromoçcas trouxeram massa que foi um pouquinho melhor. O seu martinho ganhou até suco e frutas para o madrugadao. Como se nao bastasse, depois de consumir estes, levantou e foi pedir mais para as aeromoças, que prontamente lhe serviram. Elas foram muito simpáticas.
Às 8h, horário local ( o fuso agora é de 3 horas a mais), volei para a poltrona ao lado do papai. ela fresta da janela, perceia qe o sol nascia no lado direito do aviao. Atrás, a senhora espanhola comentou que papai se comportou muito bem na viagem. Às 9h serviram o café da manha. Perto das 10 e o comandante nos avisa que tinha autorizaçao para aterrissar, coisa que ocorreu 16 minutos depois.

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5 – (08/02/10) De Sao Paulo Chegamos tranquilos em Sao Paulo e, como tínhamos um bom tempo, começamos a procurar um barbeador para o esquecido do pai. Em vao. Depois, também procuramos a vigilênca sanitária para obter carteirinha internacional da febre amarela, pois tìnhamos a informaçao de ser algo importante. Nao encontramos e nem foi importante. Atè agora.
chei muito legal um determinado momento em que fiquei para trás e vi meu pai, jà de cabelo branco, braços pra trás, maos agarradas nas costas; era o mesmo ídolo de outrora, mas agora velhinho, um pouc arcado. Meu herói, meu eterno herói.
Depois de andar de um lado para outro e de fazer hora no aeroporto, resolvemos fazer uma refeiçao digna no dia. Decidimos procurar um restaurante e era 17horas quando estávamos sentados a mesa nos alimentando. Eu muita salada e uma cerveja, para ir relaxando para a viagem que se apresentava, papai, com o seu tradicional feijao – nao com tato amor como o que a mamae e a Dada preparam, mas gostoso no conceito do degustador. A janta foi tao boa que o pai seanimou em pegar uma sobremesa que sò faltou lamber os dedos de tao gostosa.
De longe observamos queo Sao Paulo estava jogando com o Santos e este estava ganhando primeiro tempo por um a zero (nem sabemos qual foi o resultado deste jogo, numa demonstraçao do qe realmente é importante do que é ilusao). Tentamos chegar mais peto, mas veio a vontade de ficarmos pretos do nosso portao de emberque e assim fizemos, afinal de contas, voo internacional nao se brinca.
Às 18h30 estàvamos passando na Polícia Federal do Brasil – passamos juntos – e por volta das 19h estávamos no portao 11 já aguardando o embarque Antes até entramos na loja de Duty Free e avaliamos o tal do barbeador muito caro, e nao etendemos o¨”free” do “duty”.
Enquanto aguardávamos conversamos a última vez que o papai havia viajado de aviao. Ele avaliava ser no início da década de 1990 qundo foi, com a mae, para a ilha da Madeira visitar a família do Ita. Lembramos que havia tres anos que nao nos encontrávamos com o Tatau. Saudades.
Enquanto agurdávamos no sagao do aeroprto percebemos a quantidade de pessoas que falava espanhol e constatamos que poucos brasileiros iam de Tam para Madri. nossa desconfiança se configurou mais tarde. Às 20h15 papai e eu entramos com prioridade no aviao da Tam com destino a Madri, 5210 milhas distante. Tatau, Ita, sobrinhos e sobrinhas, lá vamos nós.
Martinho embarca rumo a Madri: lá vamos nós(

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4 – (08/02/10) De Floripa a Sampa
Às 12h10, Edwin e Andy, nos deixara no aeroporto Hèrcílio Luz de Florianópolis, quando fizemos nosso check-in que encainhou nossas malas direto para Madrid, ou seja, nao sria necessário apanhá-las em Sao Paulo. Ufa! O calor persistia, principalmente quando tivemos que sair do aeroposrto para o papai fumar seu cigarrinho.
Qual nao foi nossa surpresa quando encontramo nos corredores do aeroporto o amigo Rudi, profissional da Eliane Revestimentos que corre o mundo reresentando esta empresa, e seu colega Izaltino. Foi uma alegria, inclusive quando o Izaltino comentou que estava torcendo plo Visto para o papai entrar no Qatar. “O pessoal da Eliane me disse que estava solidário com o su Martinho porque em breve qem terá dificuldade o Vist devida a idade sou eu, mas nao tem nada a ver”, brincou o colega de trabalho da mana Dorinha.
Depis fomos fazer um lanchinho. Próximo à gente uma menina de uns dois anos, vestido rosa, cabelihos curtos e com uas trancinhas gargalhava despreocupadamente enquanto “cavalgava” nos pés da avó.
Enquato isso, papai observou nossas malas de baix do sol escaldante e lembrou das caixas de chocolate que estavam dentre. Sorrindo, comentou: “Acho que vai chegar lá pizza de chocolate”.
Às 13h55 embarcamos e com a referência por idoso lá estava eu ao lado do seu Marto. Decolamos para a capital paulista às 14h25 felizes da vida, onde atrrissamos às 15h20 com 32 graus Célsius.

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3 – (07/02/10) Da Barra para Floripa
Deixamos a Barra Velha perto das sete horas com o papai dirigindo seu carro. Passamos pela Lagoa dos Esteves onde pudemos ver o sol grande e lindo se exibindo no vidro de um respaurante; um bonito espetáculo da natureza, que é o nascer (nascer????) do sol. Não aguentamos a tentação e paramos para uma foto.
Devido ao forte calor, pudemos ver um jovem dormindo na rede em baixo de uma árvore.
Às 7h20 alcançamos a BR-101. Estávamos praticamente sozinhos neste início de jornada. Nossa, como é bom viajar domingo pela manhã, relembrei. Passamos por Jaguaruna, onde papai lembrou que na infância o trem parava e ele aproveitava para comer pé-de-moleque, tomar água…
Seguíamos observando e admirando as obras de duplicação da BR 101, com alguns trechos a todo vapor, inclusive, com homens trabalhando.
Em Cabeçudas, próximo à Lagna, abrimos o vidro do carro para sentir o cheiro cultural do mar. E levar este cheiro dentro da gente. Aqui papai falou: “Esqueci o barbeador”.
Perto das 9h paramos no “Caldo de Cana tia Maria” para fazer um lanche, papai comeu pamonha e eu um pastel de milho. Cerca de 10h chegamos na casa dos compadres Edwin e Denise, em Floripa.

Tudo bem, tudo tranquilo. Encontramos os compadres já na lida; Andy e Cindy, todos lindos e com saúde.
Daqui a pouco rumamos para o aeroporto internacional Hercílio Luz.
O sol da Lagos dos Esteves ilumina nosso caminho.

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2 – (06/02/10) Um dia a gente tem de partir…
Acordamos às 6h10 e enquanto tomávamos café com mamãe, chega o Gustavo, esposo da Dadá: “Levantei só para me despedir e desejar boa viagem pra vocês”. Na noite anterior, havíamos nos despedido de todos os parentes e amigos que estiveram na praia da Barra Velha. Fizemos até um churrasco ao meio dia, violão, cantoria e muita alegria. Até o Tatau (Teneriff) e a Mag (Londres) ligaram para saber dos últimos detalhes e também imantar nossa viagem.
São 6h50 da manhã e já estamos dentro do carro em direção ao nosso primeiro destino, que é Florianópolis. Como diz Amir Klink, “um dia a gente tem de deixar de sonhar e patrtir…” Assim fizemos. Tatau, Ita, e sobrinhos e sobrinhas, netos e e netas bisnetos lá vamos nós. Lembro-me da minha última comunicação com minha mão: “A bênção”, pedi-lhe. Puxa, como é bom a bênção dos pais. E papai falou: “Até a volta”.
Nossa despedida na Barra Velha
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1 – (28/01/10)Queridos familiares e amigos, parceiros do site obuscadoir.org. Comunico que de 7 a 25 de fevereiro estarei viajando com meu pai Martinho Mendes para Espanha, Qatar e Inglaterra e, nestes países, vamos nos encontrar com parentes (irmãos, netos e bisbetos). Durante este tempo, vou postar fotos e textos com o objetivo de mostrar as etapas da viagem nesta parte do blog de obuscador.org; se quiser, visiste o site www.obuscador.org, clik em “viagem 2010″ e acompanhe a aventura que meu pai e eu vamos fazer juntos neste mês de fevereiro. E, se preferir, poste seu comentário nos artigos aqui postados. É no caminho que a gente se encontra,

Manoel

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