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A vida e o relógio

“A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira…
Quando se vê, já terminou o ano…
Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê, já passaram-se 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado..
Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas.
Desta forma, eu digo:
Não deixe de fazer algo que gosta, devido à falta de tempo,pois a única falta que terá,
será desse tempo que infelizmente não voltará mais.”

Mário Quintana

Lei do Caminhão de Lixo

A nossa vida é praticamente 10% o que fazemos dela e 90% a maneira como a recebemos! E nós não vamos deixar que os outros, contaminados até as suas camas, despejem seus lixos sobre nós, vamos?

(*) Manoel Mendes

Sempre me inquietou o fato de muitas pessoas que conheço reclamarem dos transtornos causados pelo caminhão que recolhe o lixo. É claro que quem chega a este estado, já acha até normal reclamar de tudo. Mas, convenhamos, reclamar que o caminhão pára no meio da rua, faz barulho à noite, solta chorume…é como reclamar da própria sombra.

Dia destes, recebi uma mensagem assaz interessante instigado por esta inquietação sobre o lixo, resolvi escrever o meu artigo de hoje. Dizia que uma determinada pessoa havia tomado um táxi e foi direto para o aeroporto. Estavam, ela e o taxista, rodando na faixa certa quando, de repente, um carro preto saltou do estacionamento. O motorista do táxi pisou no freio, deslizou e escapou do outro carro por um triz!
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CAMINHOS DIFERENTES

Andar por vários caminhos iguais
Me faz, talvez, o mesmo caminhante.
O mesmo caminho é o velho, é morte;
A gente vai morrendo lentamente.

A jornada diferente
Me leva a um Ser diferente.
O caminho diferente é o novo,é vida;
E a gente vai curtindo alegremente.

Percorrer trilhas diferentes
Vai me fazer melhor?
Vai me fazer pior?
Não sei!…
O que tenho certeza é que vai ser diferente!

Agora sei e sinto:
Não somos nós que fazemos o caminho,
É o caminho trilhado que nos faz, a cada passo, diferentes.

(Manoel Mendes, inverno de 2007)

Receita de um ano novo!

Para você ganhar um belíssimo Ano Novo
Cor de arco-íres, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)

Para você ganhar um ano novo
Não apenas pintado de novo,
Remendado às carreiras,
Mas novo na sementinhas de vir-a-ser,
Novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)

Novo e espontâneo,
Que de tão perfeito nem se nota,
Mas com ele se come, se passeia, se ama,
se compreende, Se trabalha,
Você não precisa beber champanha ou qulquer outra birita,
Não precisa expedir e nem receber mensagens
(Planta recebe mensagem? Passa telegrama?)

Não precisa fazer lista de boas intenções para arquivá-las na gaveta
Não precisa chorar de arrependido, pelas besteiras consumadas,
Nem parvamente acreditar que por decreto da esperança,
A partir de janeiro as coisas mudem
E seja tudo claridade, recompensa, justiça entre os homens e as nações,
Liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
Direitos respeitados, a começar pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um ano novo
Que mereça este nome, você, meu caro, tem que merece-lo
Tem que fazê-lo novo.
Eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente.

É dentro de você que o ano novo cochila e espera desde sempre!

(Carlos Drummond de Andrade)