MEDINDO AS RIQUEZAS DO SER HUMANO!!!

“Tenho a intenção de processar a revista “Fortune”, porque fui vítima
de uma omissão inexplicável. Ela publicou uma lista dos homens mais
ricos do mundo, e nesta lista eu não apareço. Aparecem: o sultão de
Brunei, os herdeiros de Sam Walton e Mori Takichiro.
Incluem personalidades como a rainha Elizabeth da Inglaterra, Niarkos
Stavros, e os mexicanos Carlos Slim e Emilio Azcarraga.

Mas eu não sou mencionado na revista.

E eu sou um homem rico, imensamente rico. Como não, vou mostrar a
vocês: Eu tenho vida, que eu recebi não sei porquê, e saúde, que
conservo não sei como.

Eu tenho uma família, esposa adorável, que ao me entregar sua vida me
deu o melhor para a minha; meus filhos maravilhosos dos quais só
recebi felicidades, netos com os quais pratico uma nova e boa
paternidade.
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“Viagem”, de José Saramago

“A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa. Quando o visitante sentou na areia da praia e disse: ‘Não há mais o que ver’, sabia que não era assim.

O fim de uma viagem é apenas o começo de outra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na primavera o que se vira no verão, ver de dia o que se viu de noite, com o sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para repetir e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre.”

José Saramago

31-12: Cronica de uma viagem ao balneario Rincao

(Mhanoel Mendes)

31 de dezembro. Quatro da tarde. Estou parado dentro do meu carro que de tanto se arrastar num frenético para/acelera, para/acelera pela SC 444 desde o centro de Içara, acabou estragando o condicionador de ar. Como meu carro tem cor escura, a temperatura aqui dentro deve estar próxima dos 40 graus Celsius. Ali em cima dá pra fritar ovo, a dá.

Desloco-me ao balneário Rincão. Refaço: tento me deslocar. Estou aqui desde as 14h; embora trabalhasse até às 12h e logo em seguida passasse no marcado abarrotado de gente, não consegui me desvencilhar desse trânsito. Estou nesta viagem há pelo menos três horas. Parece que todos tiveram a mesma ideia que eu. Invejosos!

Abano-me. Sinto que a pressão baixa. Nem mesmo o suco de butiá, que eu adoro, resolveu. Sequer uma torneira de água da Casan encontro.

Eu sei que não pode, mas coloco a minha mão para fora do carro, numa tentativa descontrolada de me refrescar. Em vão. Não tem como não me lembrar da mesma situação vivida por mim no ano passado, e nos anterior ao ano passado, e no anterior ao anterior do ano passado… Raiva, ansiedade são conceitos ingênuos perto que que sinto. Na verdade não existe uma palavra que conceitue meu sentimento neste momento.

Escoro minha cabeça no banco dianteiro, deixo minhas mãos caírem sobre o colo, relaxo. Ideias turvas me veem à cabeça, clareando fatos vividos num passado recente.
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Abandonar as roupas velhas

“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.”
Fernando Pessoa

Teoria do domingo à tarde chovendo


Há muito tempo tenho uma teoria que venho refletindo muito sobre. Esta teoria, como o nome diz, é só uma teoria, das muitas que existem. Pelo menos é mais uma ou só mais uma. Mas mesmo que seja só isso, quero compatilhar com você.
Diz a minha idéia:Quer conhecer boa parte da psiquê de um ser humano? Observe-o em um domingo a tarde nublado ou chovendo, como hoje.
Observe se ele não vai:
Pra frente da televisão…
Dormir …
Pegar um filme na locadora…
Telefonar…
Para a internet…
Ler um livro…
Inventar uma visita…
Enfim, observe bem se ele fica em casa, em solitude.
Mais: se ele percebe “graça e beleza” em observar a chuva cair sobre uma folha de um galho de árvore. Se ele vê os pingos dancarem, o vento cantar…
Se conseguir fazer tufo isso com alegria e presença, sem aquele vazio existencial, talvez aqui resida a fonte de um ser emocionalmente equilibrado.

Filhos, por Jose Saramago

“Filho é um ser que nos foi emprestado para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem. Isto mesmo ! Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente da incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado. Perder? Como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo”.