A doença não é do Lula

O câncer do ex-presidente do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva, trouxe um novo enfoque a este tipo de doença nas últimas semanas. Principalmente depois da ligação entre a doença e os políticos, já que além da própria presidenta do Brasil, Dilma Russef, ter tratado um câncer há poucos anos; agora também os presidentes da Venezuela, Hugo Chaves, e da Argentina, Cristina Kirchner. Isso para ficarmos só entre nossos países vizinhos e em nível de presidência, pois, se nos atermos a Deputados, Senadores, Governadores e até prefeitos e vereadores, os dados serão alarmantes.

Não creio numa conspiração externa de algum país ou organização cujo objetivo é implantar a doença em algumas lideranças específicas, como levantou Hugo Chavez. Mais: não creio que as condições externas influenciam mais – atente-se ao “mais” – que as condições internas, ou seja, que os alimentos e os agrotóxicos adoeçam mais que a condição mental dessas pessoas.

Não sou médico, intitulo-me um eterno psicólogo em formação, um aprendiz de cuidador, e, por ora, percebo que o modo de vida da sociedade dita moderna tem criando este padrão que cresce assustadoramente a ponto de encararmos como “normal”. E o câncer, não é porque ele é presidente da República, Deputado, Senador, Governador, Prefeito ou vereador, é sim devido a relação que se vem tendo.
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Um homem precisa viajar


Foto acima: Tomando sopa, dentro de uma cabana de “totora” em uma das ilhas flutuantes dos Uros no lado peruano do lago Titicaca; no pulso direito, meu último relógio, que, inclusive, presenteei um dos nativos.

Sou um buscador, um guerreiro do coração e gosto muito de algumas frases de autores conhecidos. Todos eles falam sobre busca, renascimento, novo e velho, vida e morte; falam da necessidade que nós seres humanos temos de nos renovarmos a cada dia, a cada momento, a cada instante. Afinal de contas, vida é movimento.
Tem três comentários, um do escritor lusitano José Saramago, outra do também poeta português Fernando Pessoa, e o última do nosso navegador solitário que gostaria de repassar neste momento.
Diz Fernando Pessoa: “Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares”. Para ele, esse é o tempo da travessia. Contudo, lembra Fernando pessoa, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.
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Desintoxicação mental

(*) Mhanoel Mendes

Como faço quase que diariamente, acordo cedo, antes das 7 horas, e habitualmente ouço programas informativos. Com isso, tenho um parâmetro das previsões do tempo, um resumo das notícias do dia anterior e uma projeção para o dia. Tudo especulação, claro! Não me apego a nada e não entendo nada como verdade absoluta, mas como referência. Só referência.
Na retrospectiva dos jornais, as manchetes foram: “Réveillon com chuva em boa parte do Brasil”, “Trânsito: 90 km de filas só em SC”, “Morte nas estradas: Tragédia anunciada”. Tudo tão óbvio quanto impactante.
Impactante, pois há anos lemos esta sequência de manchetes a cada início de ano e poucos fazem algo pra mudar, nem os parlamentares ou quem tem mandato, nem a sociedade organizada, nem os cidadãos comuns. E a obviedade aqui nem precisa ser comentada, embora o óbvio as vezes precisa ser dito, não é mesmo?
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Fim de ano. Fim?

(*) MHANOEL MENDES


O melhor réveillon nesta minha existência de quase 48 anos – completo agora no Natal – foi quando passei numa caverna em baixo da terra denominada “Lar de Meditação”, construída no Oikos, em Criciúma. Estava em solitude, não sozinho.

Dia 31/12. Eram oito da noite quando me recolhi pra dentro do espaço que ficava a quase dois metros de profundidade e que sua abóboda era suportada por uma simples construção em ferrocimento. Acima desta, terra, grama e mato.

Além da porta, que se abria para o norte, tinham três pequenas janelas que davam para os outros três quadrantes: sul, leste e oeste. Aproveitei estes quatro pontos referenciais e, a cada hora, acendia uma vela como se iluminassem os arquétipos das quatro direções: direção norte, elemento ar, e o arquétipo é do guerreiro; sul: curador, terra; leste: fogo, visionário; oeste: água, mestre.

Estava num local simples, sem bebedeiras, sem comilanças, sem fogos de artifício – só uma pequena fogueira – e ostentações. Sem egoísmo, sem status, estava comigo. Chorei, cantei, meditei, orei, refleti.

Depois de uma noite terna e intensa, adormeço ali e durmo um sono leve e libertador. Acordo com uma alegria indizível, comparada a da criança que dorme pela primeira vez na casa da árvore.

No outro dia, ainda antes do sol do novo ano “dar as caras” olho silenciosamente para os pássaros que cantam, para as flores que já exalam seus doces perfumes, para as árvores com suas folhas orvalhadas, enfim, olho pra natureza. De tudo aquilo, não recebi nenhum “feliz ano novo!”

Percebi que para as árvores, não existe fim de ano. Para os pássaros, não há recomeço. Para a flores não se aplica o arrependimento. É tudo uma jornada só de ida neste plano dual com infinitas possibilidades.

Feliz ano novo! Novo? Talvez feliz tudo pra você sempre, independentemente do mês e do dia do ano. Afinal de conta, a felicidade não é um lugar, a felicidade é o caminho.

(*) Mhanoel Mendes, psicólogo, consultor nas áreas de ecossustentabilidade e promoção de gente, escritor e palestrante (www.oikos.org.br)

Crenças e preconceitos moldam o prazer e a dor

VAGUINALDO MARINHEIRO- Folha de S. Paulo
ENVIADO ESPECIAL A EDIMBURGO

Folha – Como o prazer funciona? O que afeta a forma como apreciamos as coisas?
Paul Bloom – Ao obter prazer, não respondemos apenas aos aspectos superficiais de um objeto ou pessoa, como gosto, cheiro, aparência. Nosso prazer é afetado pelo conhecimento e pelas crenças que temos. Por exemplo, se achamos que um vinho é caro, teremos mais prazer em tomá-lo. No caso da pintura, você pode amar um quadro se acredita que é um Picasso ou um Chagall e não dá a mínima se pensa que é uma falsificação. Mesmo que o original e a cópia sejam iguais.
No caso das pessoas, juntamos à aparência outros fatores que julgamos conhecer sobre elas, que podem ser idade, vida profissional etc.

E com relação à comida? Por que uma pessoa gosta de queijo e outra não?
Queijo é um bom exemplo. Muitos têm cheiro muito forte. Se você disser a alguém que o cheiro que está sentindo é de um animal, ela ficará enojada. Mas se disser que é de um queijo, e que ele é caro, a pessoa pode salivar. Continuar lendo

Dois séculos de conquistas estão sendo jogados no lixo

(Por: Eduardo Galeano – jornalista, escritor e intelectual)

Em entrevista ao programa “Singulars”, da Televisão da Catalunha (TV3), o escritor uruguaio Eduardo Galeano fala sobre as manifestações dos últimos dias que levaram milhares de jovens para as ruas de diversas cidades espanholas. Galeano esteve em Madri e pode presenciar ao vivo as mobilizações na Porta do Sol. Disponibilizamos abaixo a entrevista concedida ao jornalista Jaume Barberà e destacamos alguns trechos da fala de Galeano:

“Há hoje em quase toda a América Latina um problema visível e preocupante que é o divórcio entre os jovens, as novas gerações, e o sistema político, o sistema de partidos vigente. Eu não reduziria a política à atividade dos partidos, por que ela vai muito mais além, mas isso é preocupante mesmo assim”.

“Nas últimas eleições chilenas, por exemplo, 2 milhões de jovens não votaram. E não votaram porque não se deram ao trabalho de fazer o registro eleitoral. Suponho que a maioria não fez o registro por que não acredita nisso. E me parece que isso não é culpa dos jovens. Neste sentido, gostei muito de ter presenciado essas manifestações que tive oportunidade de ver na Porta do Sol”.
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