“Talvez espiritualidade seja compreender que o caminho é solitário, que somos mesmo fracos, frágeis e que não acharemos conforto e proteção em outro lugar que não seja em nossos corações, e luz nas nossas próprias consciências”.
(*) Manoel Mendes
Há muito tempo venho questionando e pesquisando sobre o significado prático de duas palavras que parecem que se convergem, mas, pra mim, por hora, se divergem frontalmente. Trata-se de “espiritualidade x Religiosidade”. Quem me deu uma luz foi Paulo Kaneko, um amigão que fiz no Caminho das Missões e já se vão quase cinco anos de uma bonita e espiritualizada amizade.
Mas, afinal, o que é religiosidade?
Religiosidade vem do latim “religare”, que quer dizer religar o céu e a terra, religar o que deixou de ser ligado. Religiosidade é adotar um livro, escrito por homens, traduzido, virado e remexido, guiando a vida pelas regras do livro. É recitar as orações que alguém um dia, num determinado momento e pertencente a uma cultura totalmente diferente da sua criou.
Talvez isso seja religiosidade. Certo? Errado? Só quem pode dizer é você. Se está se sentindo bem, prossiga; se não, tente mudar.
Mas continuemos com algumas explicações: Religiosidade é ir a um templo, numa determinada hora, determinada por alguém, e ali e só ali, achar que vai encontrar com Deus. É acreditar e seguir indivíduos que se nomearam representantes mais exclusivos de Deus. Ouvir e obedecer as suas palavras quando dizem que falam em nome Dele. Muitas vezes matar em morrer em nome, não de Deu, mas dos que se dizem seus representantes aqui na terra.
Talvez religiosidade seja buscar apoio e refúgio para enganar o medo e a solidão ontológica, nas instituições que vendem esse falso abrigo. E o que é pior, cobram caro por isso.
Mas como tudo tem, no mínimo dois lado, também aqui ele existe. Temos a religiosidade, é verdade. Mas também temos a espiritualidade. Mas o que é a espiritualidade?
Para os índios nativos estadunidenses, quando nascemos demos a primeira inspiração, ou seja, in significa dentro e pirar vem de espírito. Ao nascer, para as civilizações tradicionais, colocamos o espírito pra dentro e dali pra frente ficamos com ele durante todo a existência. Este espírito só passa quando também demos o último expiro, ou seja, colocamos o espírito pra fora.
É possível também outras formas de definir espiritualidade. Talvez seja aprender a ler as palavras de Deus no grande livro da Natureza, ao nosso redor, em nós mesmos, decifrando onde o grande Arquiteto deixou suas mensagens, seja nos astros, nas linhas das mãos, na íris dos olhos, por trás de cada letra do nome, no canto dos pássaros que anunciam a primavera, na fase da lua, onde é melhor plantar, no fundo do Inconsciente, nos sonhos e vai por aí.
De repente espiritualidade seja falar com Deus, na sua própria língua, com os erros de linguagem, sem vírgulas, chorando ou rindo, falando com a boca, quando ela é o porta voz do coração. É ir em busca de Deus, a qualquer hora, e encontrá-lo em qualquer lugar, de preferência junto a relva debaixo de uma árvore frondosa e antiga. Ou caminhando numa rua de uma grande cidade, parando um instante e com um leve sorriso e, um brilho adolescente no olhar, olhar pro céu, ou para um jardim, ou para uma criança que passa no colo da mãe e dizer: “Deus como és generoso, como sou seu fã.”
Espiritualidade pode ser quando fazemos ligação direta, questionamos hierarquias e pompas, observando melhor alguns desses insensatos que alegam saber melhor, o que Ele quer ou deseja para nós e para o mundo. É não tentar convencer ninguém de suas crenças e da sua maneira de crer no divino, e principalmente entender que Deus não precisa de garotos propagandas, porque isso não tem dado muito certo ao longo da história da Humanidade.
De repente espiritualidade seja compreender que o caminho é solitário, que somos mesmo fracos, frágeis e que não acharemos conforto e proteção em outro lugar que não seja em nossos corações, e luz nas nossas próprias consciências.
Estas são algumas das minhas idéias que penso e procuro agir neste momento, amanhã posso mudar. Não quero que você concorde ou discorde, só desejo que você me entenda.
(*) Manoel Mendes, considera-se um buscador, um guerreiro do coração. Trabalha como palestrante/facilitador (na área do autoconhecimento, desenvolvimento humano, relações interpessoais, qualidade de vida, espiritualidade, ecologia), e como professor de filosofia e sociologia na Unesc e na Esucri; está na oitava fase curso de psicologia da Unesc. É autor do livro “O Buscador – Uma aventura a Machu Picchu” e co-autor de “Compostela – Muito além do Caminho de Santiago”, livro este que escreveu a dois corações com Beto Colombo. Visite e deixe seu recado no seu blog: www.obuscador.org

Salve!! Mestre Manoel
Tudo bem??
Sumida mas não de coração, como você fala “de alguma forma estamos juntos…”
Inclusive acho que vc se tornou meu “inconsciente” rsrsrs, sua figura está presente em todos os meus dias, e em todos os meus atos.
Seus ensinamentos permanecem dentro da minha mente, é incrível não sei o que acontece, mas fico analisando as coisas de uma outra maneira, comigo e ao meu redor.
Me auto-analiso para sempre tentar fazer as coisas da melhor forma…e as pessoas agora analiso a essência, não consigo mais enxergar a parte física, só o que de valor as elas tem em seu interior.
Lendo seus artigos (aliás são todos emocionantes), um deles me vem sempre a mente, no dia 26/02 Somos todos um, onde um ouvinte lhe criticou por defender a ação do governo sobre o indulto de natal, sua resposta dizendo que não importa a quem o detento fez o mau, somos todos um…me fez refletir bastante.
Outro artigo que contei pra um monte de gente foi, Não nos tocamos mais (14/05), nunca havia pensado nisso antes, muito bom…
Nas férias de verão li o livro Compostela, agora nas férias de julho to lendo o livro O Buscador, to amando, e é bom porque vc detalha os fatos então dá pra ficar imaginando…parece que estou assistindo um filme…
este mês é meu aniversário, posso te levar o livro pra ganhar seu autógrafo? será meu presente…
voltando a nossas aulas uma palavra para definir você: não dá só uma…
humilde, humano e eterno…nos corações de quem te ama…
Nos encontramos no caminho…
Forte Abraço
Juliana
Namaste.
Desculpe-me a invasão, mas me chamo Elaine, sou de
Siderópolis e leciono Filosofia e Sociologia no Colégio Dom Orione.
Tbém dou instrutora de Hatha Yoga e Yogaterapia. Fui um tempo
voluntaria do CVV, e tive contato com seu livro o Buscador. Sou
conterranea do Milo, e tive contato por um ano com o pessoal da
Humanizaçã. Gostaria de dividir idéias com relação a Filosofia, penso que sempre é muito bom encontrar pessoas que venham enriquecer nosso conhecimento e caminhada.
Grata pela atenção.
Elaine
Shalom Aleichem “Mestre” Maneca.
Saudações.
Sempre que posso visito “O Buscaor”. Tuas reflexões são instigantes, inquietantes. Os mais céticos ignoram, desconsideram, rechaçam. São profundos Religiosos. E isso, a Religião, é um contra-ponto.
Concordo contigo, de que a Religião a o oposto da Espiritualidade. Enquanto esta me proporciona a ligação com o que eu acredito, a outra me liga a dogmas, preceitos, crenças.
Infelizmente a grande maioria das pessoas faz uma enorme confusão. Principalmente os “doutores” cléricos. Donos de suas verdades, donos de “Deus”, exclusivistas da verdade.
Ao meu ver, religião deveria aportar na necessidade tácita da alma pela busca do sobrenatural. Seria como dar uma maozinha para a Espiritualidade. Fazer a metade do caminho, ajudar. Mas não é isso que acontece. As pessoas confundem Religião com Espiritualidade.
É possível que uma pessoa seja tão Espiritual quanto uma meramente religioso (amplamente ligada aos costumes religiosos da bandeira denominacional que levanta).
Para muitos, antes a Espiritualidade vem mediante o envolvimento Religioso. Ledo engano, não.
Há muito que falar sobre esse assunto. Fico por aqui com minha pequena contribuição.
Grande abraço.
Pra refletir:
“Não me dê a sua verdade. Busquemos juntos a verdade e guardemos a sua e a minha.”
Antônio Machado.
Baruch Ata
Rudy Cypriano
Olá Manoel, enviei uma mensagem para manoel@buscador.org , mas ela voltou. estranhamente somente agora, 24 horas depois de enviada. Sou a desconhecida que ligou para falar sobre machu picchu. queria enviar a mensagem pra vc. pode passar o e-mail direto ou prefere aqui pelo site mesmo?
Interessante vc colocar espiritualidade e religiosidade como campos distintos. As palavras sempre carregam muitos significados e por vezes nos afastam mais do sentido do que pretendemos, pois ao usa-las carregamos o peso da tradição de cada conceito. È sempre bom recolocar o sentido, repensar, sentir o que cada uma nos traz. Já fui brigada com a palavra religião por causa de religare. Nunca me senti desligada e por isso não queria me religar…. mas hoje gosto da palavra pois penso em termos de dualidade e unidade. A existência é dual, estamos sempre entre o sim e o não, o certo e o errado. Sentir-se uno poderia ser se libertar disso e se permitir ser parte do todo como a onda é parte do mar.. sendo mar. Isso me onduz para uma religião onde a prática não é seguir alguém e sim ser alguém. bem, mas cá estou eu saindo do rumo e divagando com as palavras. gosto disso, como gosto de viajar. fico por aqui e aguardo algum contato. um abraço, giovânia
Sou ateu gostaria de encontrar alguem para falar sobre o assunto, se possível. Grato
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