Mudar para crescer

“Atualmente vejo que a vida passa da Vila Nova; se não procurasse entender porque pensava daquele jeito e tentasse ir a raiz das questões sem se culpar e nem culpar ninguém, jamais poderia crescer, evoluir, transcender.”

Credita-se a Albert Einstein a frase de que “é mais fácil dividir um átomo do que um indivíduo muitas vezes mudar de idéia”. Talvez o cientista alemão quisesse dizer que parece que nós somos ensinados desde a tenra idade a sermos um tipo de pessoa, a nos comportarmos de tal maneira diante dos fatos que acabamos sendo seres totalmente previsíveis. Enfim, influenciados pela mídia, religião, cultura, família, educação, ideologia, vamos nos moldando e, aos poucos aceitamos a realidade como uma verdade pronto. É só seguir o script.

Pensando assim, agindo assim, concluímos que a realidade aqui fora já está pronta e que cabe a cada um de nós somente entendê-la e reproduzi-la. Somos direcionados a pensar que é o fora que influencia e decide o dentro, mas, como nos esclarece a física quântica, o dentro também tem o seu ponto de vista (células, moléculas, átomos). Talvez o slogan do fascismo clareie mais o que intenciono refletir: “Não pense. Deixe que o estado pensa por você”.

Lembro-me que três temas me foram passados desde pequeno como algo feio, pecaminoso. Só em pensar já me causava culpa e era motivo de sofrimento. Falo do espiritismo, do comunismo e da maçonaria. Menciono estes três, mas poderia tocar em muitos outros assuntos que, diante do preconceito, nos impedem de crescermos como ser humano e nos melhorarmos como seres que estão neste jornada existEncial.

Lembro-me que cresci ouvindo, lendo e assistindo críticas duras ao sistema comunista, a religião espírita e a filosofia maçônica. Como estava em formação, tudo o que me chegava, chegava por intermédio de pessoas e instituição que me davam segurança e que tinham crédito. Por isso nem questionava. Na verdade não tinha autonomia para isso, ainda estava ou na anomia ou na heteronomia.

Depois, no decorrer do tempo desta minha existência com 45 anos de idade, deixei minha vida provinciana e me abri para o mundo. Questionei meus conceitos, me coloquei no fogo, me pus humilde diante do novo – e assim procuro estar -, fiquei sem chão. Ousei sair da zona de conforto e experimentei, a partir daí, a experiência da solidão, da tristeza medular. Fui por aí e me perdi. Afinal de contas, se a gente nunca se perde, como sabe que se está encontrado?

Voltando ao comunismo, ao espiritismo e à maçonaria, lembro que eles me foram repassados na infância como representantes do mal na face da terra. Que não deveria chegar perto de pessoas que defendiam estas ideologias; eram o “demônio” em pessoa. Estava cego, mudo e surdo, embora fosse no médico e era sempre considerado saudável. Eu era puro preconceito. Hoje, pelo menos tenho consciência disso e procuro me corrigir a cada experiência.

Atualmente vejo que a vida passa da Vila Nova; se não procurasse entender porque pensava daquele jeito e tentasse ir a raiz das questões sem se culpar e nem culpar ninguém, jamais poderia crescer, evoluir, transcender. Poderia continuar achando que o comunismo, o espiritismo e a maçonaria estão a serviço do mal. E hoje, pelo contrário, vejo a beleza e humanidade nas três. Percebo que não devemos nos apegar a nada e nem rejeitar nada porque o todo está no todo, não nas partes. E, ao me fechar para algo, terei uma visão parcial e, assim, não terei condições de observar o todo. Desta forma, minha ação também será desconexa, míope, fragmentada.

Nossa existência é tão rápida que não vale a pena nos apegarmos a idéias, preconceitos que nos retiram da nossa existência. O ser humano toma cerca de 40 mil atitudes por dia: baseado em que você toma estas atitudes: dogma,moral ou ética? Importante colocar que as pessoas mudam todas a sua composição celular a cada 10 anos, ou seja, a cada década, somos literalmente outra pessoa. Então, porque não podemos mudar nossos pensamentos também? Por que se apegar tanto se o apego só traz sofrimento? Por isso, a importância deste sentimento de passagem por esta existência e de um renascimento aqui mesmo.

Se queres mudar, mude! Mude de curso, de profissão, de região, de companhia, de governo, de sexo… Acredite em você, escreve você o seu script, não deixe ninguém interferir nos seus sonhos. Aqui, vale lembrar Wiliam Wallace no filme Coração Valente: “Os homens morrem, mas há homem que não vive”.

Estas são algumas das minhas idéias que penso e procuro agir neste momento, amanhã posso mudar. Não quero que você concorde ou discorde, só desejo que você me entenda.

3 Comentários a “Mudar para crescer”


  • Edna Mendonça

    Manoel,
    Sou de SP, psicóloga e tenho esse sentimento de buscadora, aliás foi através da psicologia que veio o transcendental, o transpessoal. E essa coisa quando gruda, nunca mais dá para voltar para trás…por mais que tentemos.
    Muito prazer em conhecê-lo!
    A Marlene Mendonça me informou sobre o seu site para conhecer um pouco do seu trabalho, após ter comentado sobre um final de semana vivencial do qual ela participou, incluindo, danças, respiração holotrópica etc… Achei tudo muito terapêutico e ainda lendo algumas publicações no seu site me ocorreu que as caminhadas são terapêuticas, sejam elas solitárias ou em grupo.
    Gostaria de receber informações de novas vivências em seu espaço para quando for possível eu possa participar.
    Muito obrigada
    Edna

  • Jenifer Rodrigues

    Meus parabéns pelo artigo é muito pleno,eu estava lendo e sentindo toda essa energia de sua vivencia! também tenho essa gana pela vida pelo ser humano e a descoberta de cada mudança! SOU UMA ETERNA BUSCADORA!!!! vamos trocar informações e vivencias entre em contato comigo meu e-mail esta ai! forte abraço

  • Jenifer Rodrigues

    Manoel sou uma eterna buscadora! Tenho visto suas fotos acompanhado os artigos e li seu ultimo livro. Te admiro muito e quero fazer parte do teu grupo. Tenho muito a aprender com vc e outros.
    Forte abraço e espero que consigas ver esse meu recado e poder entrar em contato comigo logo, pois esse espaço é para comentarios ao artigo, mas não encontrei seu e-mail.

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