O Ingá da Ilha dos Gansos Sinaleiros

…Mas o fruto está ali, a uns quatro metros. É só eu tomar uma atitude. Eu preciso agir. Tirei minha camiseta e a pendurei em um moerão. Deixei minhas sandálias na beira do açude e fui. “Um dia a gente tem de deixar de sonhar e partir”, escreveu Amir Klink…

Uma grande curiosidade na Ilha dos Gansos sinaleiros

Uma grande curiosidade na Ilha dos Gansos sinaleiros

Eu moro com minha familia no Oikos. O Oikos, é um espaço diferente que foi iniciado por mim e pela minha ex-esposa Maria Isabel, e que agora está sendo administrado por mim e pela minha querida companheira Derci. De uma barreira, de onde era extraída argila, nós – os moradores, os amigos e voluntários – estamos fazendo um local verde e aconchegante. Um local abençoado. Aqui, desde 2002, estão ocorrendo retiros, encontros, seminários, palestras, debates, vivências. Todas voltadas para a ecologia e para a espiritualidade. Tudo isso tem sido muito gratificante.

No Oikos, cujo site é www.oikos.org.br, tem algumas construções: Lar de Encontros, Lar de Alimentação, Lares de Descanso – para hospedar 36 pessoas-, Lar do Cuidador, Lar na Árvore, Lar de Meditação, Açudes, trilhas. Tem árvores, pássaros, animais. Além de tudo isso, também tem uma ilha. Na verdade, não é só uma, são três ilhas, por enquanto: a Ilha do Silêncio, a Ilha da Amizade e a ex-ilha dos Coelhos, atual Ilha dos Gansos Sinaleiros.

É esta, a Ilha dos Gansos Sinaleiros, que vou me ater a partir de agora.

A ilha dos Gansos Sinaleiros fica pertinho do Lar de Encontros e serve de aconchego não só para os gansos do espaço, mas como para os patos e até pássaros. Existem poucas coisas na Ilha dos Gansos Sinaleiros. Uma casa para os patos e gansos, que já chocaram diversas vezes, e um pé de Ingá. O ingá é uma fruta que dá em uma espécie de vagem, tem uma semente grande e seu fruto envolve a semente com uma “carne” branca e deliciosa. Hum, como é gostoso ingá. Pra mim, ingá tem gosto de infância.

Há algum tempo percebi que o pezinho de ingá que havia plantado há uns quatro anos está imponente e soberano na ilha. Mas faz poucos dias que, a distância, observei seus frutos grandes e ainda verdes.

Eu adoro caminhar pelo Oikos, mas, a partir desta descoberta, passava propositalmente as margens do açude e observava os frutos crescerem e até alguns poucos amadurecerem. “Hum, que delícia!”, pensava. Dias depois, vi uns frutos boiando no açude e os peixes na maior festa. Também vi pássaros desfrutando o ingá que parecia doce.

Todos os dias eu ia visitar o pé de ingá na Ilha dos Gansos Sinaleiros. E cada vez mais os frutos amarelavam para festa de peixes, gansos, patos e pássaros. E eu só olhava todo aquele movimento da natureza. Com tênis, sandália, calça, bermuda e camisa, eu seguia observando, embora desejasse cada vez mais experimentar aquele fruto.

Circulava em torno do açude para encontrar a menor distância e fazia as contas de quantos metros teria que pular para alcançar o objetivo. Impossível. Eu só queria um ingá. Só queria experimentar um gomo do fruto que eu ajudei a plantar. Pensei numa ponte, afinal de contas, para que servem as pontes se não para ligar as pessoas a um sonho, a um objetivo?. Mas uma ponte só para apanhar o fruto?

Um ingá. Só unzinho!

Os frutos do pé de ingá da Ilha dos Gansos Sinaleiros já estavam quase todos maduros. O verde se transformou em amarelo. Era visível que o tempo passava e a oportunidade de saborear o fruto estava também se indo. Um dia eu fui decidido para as margens do açude. Percebi que eu não poderia ficar ali, sentado, observando os frutos se transformarem em marrom, pois estavam apodrecendo. Eu os desejava amarelos, maduros. Se não tomasse nenhuma atitude, os ingás só retornariam no verão que vem.

Mas o fruto está ali, a uns quatro metros. É só eu tomar uma atitude. Eu preciso agir. Tirei minha camiseta e a pendurei eu um moerão. Deixei minhas sandálias na beira do açude e fui. “Um dia a gente tem de deixar de sonhar e partir”, escreveu Amir Klink. A água estava fria. E olha que tive oportunidades bem melhores para isso, mas fiquei só no mental. Sei lá, pensava que algum milagre ocorreria e alguém, um pato, um ganso ou até mesmo um peixe poderia trazer um ingá para eu experimentar. Mas ninguém, fez isso. Nem fará.

E segurava firme no arame, única ligação da ilha com terra firme. Olhava de baixo os frutos que se apresentavam aos meus olhos. Eram muitos, todos amarelos. No ponto!

Cheguei na ilha e de dentro d´água apanhei um fruto. O galho se abaixou como se fizesse continência. Com a unha do polegar direito fui abrindo delicadamente a casca e aos poucos a parte branca ia se mostrando. Pela pequena fresta vi a “carne” macia. Um pouco do suco quis fugir pelo buraquinho, mas o suguei. Abro mais aquele gomo e de olho fechado desfruto merecidamente do néctar da atitude.

Subo na árvore e chupo um. Mais um. Agora posso escolher os mais gordos e cheios de carne. Todos são doces. A casca usada cai no açude e os peixes também aproveitam. Depois de apanhar uma boa quantidade de ingá e coloca-los no bolso, faço o meu caminho de volta. Deixo a ilha e com ela a conclusão de que se eu não tivesse desejado aquele fruto e enfrentado as adversidades para alcançá-lo, jamais teria sabido qual o gosto do ingá da Ilha dos Gansos Sinaleiros do Oikos.

De qualquer forma, ainda me resta, agora, outra alternativa um pouco mais demorada: plantar as sementes que guardei do lado de cá. Talvez faça isso. Só que agora vou mudar de local: talvez plante uma muda na Ilha do Silêncio e outra na Ilha da Amizade.

Estas são algumas das minhas idéias que penso e procuro agir neste momento, amanhã posso mudar. Não quero que você concorde ou discorde delas, só desejo que você me entenda.

4 ideias sobre “O Ingá da Ilha dos Gansos Sinaleiros

  1. olá,vocês venden ovos galados ou filhotes de ganso me mande peços para Resende RJ.

  2. Tenho um enorme pe de inga no meu quintal. Gostaria de saber como é a raiz dele. Vai para o fundo da terra ou se espalha.

    Estou com receio porque ele esta bem perto de casa. Sera que há perigo ?

    Obrigada pela atenção.

    AH nunca consigo comer os frutos. Os pássaros sempre chegam antes.

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