Por que eu caminho? (Artigo)

…”Talvez eu caminhe para encontrar mais razões sinceras de viver. Talvez eu busque um sentido diferente àquele que o sistema impõe desde a tenra idade. Nascer, crescer, trabalhar, acumular, ter e morrer”…

A sombra vai a frente; eu estou aquiA pergunta acima foi feita pelo amigo Sandro de Mattia certa ocasião e, daquele momento em diante, passei a meditar sobre o tema. Refleti muito do porque de tempo em tempo prendo uma mochila nas costas, cajado na mão, entusiasmo no coração e saio por este mundo de D’Eus correndo riscos.

Viver é correr riscos!

Já fiz algumas experiências inusitadas, todas muito impactantes. Foi assim nos nas duas vezes que fiz o Caminho de Santiago, na Espanha; como andarilho de Criciúma a Florianópolis pela BR – 101; na vivência como mendigo no dia do natal, meu aniversário; no Caminho das Missões; na jornada de volta pra casa desde o Santuário de Santa Paulina até Criciúma, nos 22 dias viajando pela Bolívia e Peru, até chegar à cidade perdida dos Incas: Machu Picchu. Destas experiências, inclusive, surgiram dois livros, “O Buscador: uma aventura a Machu Picchu”, que já está na segunda edição, e “Compostela – Muito além do Caminho de Sanrigoa, este, escrito a dois corações com Beto Colombo.

O fato é que a rotina me angustia.

É como se todo o meu ser me enviasse mensagens pelas minhas células avisando que algo precisa ser feito, que aquele cotidiano vai me levar a loucura, transferindo pra mim a opção de decidir pela doença da alma ou pela saúde mental, física e espiritual. Assistir o tempo passar na frente de uma TV que me vê ficar velho me deprime. Ou repetir gestos mecânicos numa indústria, ou esconder meu potencial atrás de uma máquina registradora…

Viver não só é isso; não pode ser. Tem mais coisa aí. Ah tem!

Talvez eu caminhe para encontrar mais razões sinceras de viver. Talvez eu busque um sentido diferente àquele que o sistema impõe desde a tenra idade. Nascer, crescer, trabalhar, acumular, ter e morrer. Tenho ânsia de vida, de pulsar pelo bem, mas não só bem pra mim, para meus filhos, parentes e amigos. Meu sonho é o da plenitude pra todos. Ninguém é feliz sozinho.
Quem sabe eu caminho para dar “ouvido” ao clamor que corre em minhas veias dos nossos ancestrais quando ainda eram nômades e nada sedentários. Onde não existia terreno, casa, ruas, semáforos, leis, normas…. No fundo a gente sabe que está adoecendo justamente porque passamos do limite do conforto e entramos na delicada linha da preguiça.

O fato é que eu caminho porque tenho coração e é ele quem dá a direção. Sempre que busco o silêncio e me volto pra mim, sinto um sussurrar em meus ouvidos dando a direção. E eu vou.
Parece que todos vivemos nesta sociedade dita moderna onde não se consegue mais sentir a natureza que está dentro e fora de nós, como o vento mexendo as árvores, a chuva que cai balançando o capim, o rio que caminha feliz aguardando o abraço unificador com o mar.

Quando eu caminho, e pode ser uma caminhada rápida ou mais longa, eu me entrego. E me entregando para o presente, me sinto inteiro a cada instante. Sinto-me “ligado” com tudo ao meu redor e parece que só aquilo tem sentido naquele momento. Não há passado, não há futuro, há o aqui e o agora.

São incríveis as sensações e os sentimentos que surgem a partir de coisas tão simples e baratas, como caminhar, que às vezes tenho vontade de gritar ao mundo para que todos caminhem; que pelo menos uma vez na vida façam uma caminhada de várias semanas, que ponham uma mochila nas costas e se deixem viver plenamente. Fazendo isso, creio que a pessoa nunca mais pára de andar ou não faz mais a segunda experiência. Aqui não existe meio termo. Porque a vivência é muito forte, tanto do ponto de vista físico (denso), quanto do espiritual (sutil), de auto-conhecimento.

Como peregrino, caminhante, buscador, sigo caminhando e cantando e seguindo o coração. Sigo devagar e sempre na trilha, não no trilho; sinto o vento que acaricia meu corpo, o cheiro de mato adocicado e úmido, o som do rio que me fez companhia, o pássaro que canta, a borboleta que voa, a flor que desabrocha. Todo este espetáculo é mais um deleite pra mim quando estou por aí. É um arrepiar-se atrás de outro. Assim vou vivendo intensamente cada dia, um após o outro. E dias para o caminhante é feito de passos, um atrás do outro, um depois do outro.

Quem sabe a gente se encontra qualquer dia? Podemos, por algum tempo, seguirmos juntos, trilharmos caminhos paralelos. Podemos ouvir nossos passos, curtir a natureza, falar da gente. Assim, você pode me dizer “o que é viver” e “por que você caminha”?

A gente se encontra no caminho.

Estas são algumas das minhas idéias que penso e procuro agir neste momento, amanhã posso mudar. Não desejo que você concorde ou discorde, só desejo que você me entenda.

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3 respostas a Por que eu caminho? (Artigo)

  1. Professor Man8,
    Para-con-tra-frase-ando você e o Osho:
    “A peregrinação é a vida, mas você precisa viver de vez em quando para sentir a peregrinação”.
    Vamos vivendo, certo?
    Um grande abraço do “o aprendiz de buscador”

  2. DOUGLAS PIAZZOLI CANEVER disse:

    Olá peregrino!
    Caminho para sentir melhor meu corpo, minha mente, meu espírito. Tenho caminhado diariamente e a cada passo dado tenho tido um encontro fantástico comigo mesmo.
    Viver é dar sentido à vida a cada momento, a cada instante e ter a senssação que tudo o que estou fazendo seja ótimo a mim e para as pessoas.

    A gente se encontra.

  3. Ricardo Salazar disse:

    O movimento, ser ativo, ser útil, agir,
    tudo que se fizer para contráriar as rotinas
    será um feito para o bem estar.
    Quando possível fazer atividades em boa companhia
    os resultados serão mais benéficos ainda.
    Enfim, nascemos para viver, e trabalhamos para viver melhor, não viver não é inteligente
    O equilibrio é o ideal, fascinante e real.

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