Pessoa reativa versus pessoa sensível

Um caminho de flores e de bolha…Pessoas reativas não pensam. Ou melhor, pensam que pensam, quando somente reagem emocionalmente a qualquer coisa, sem refletir, sem controlar, sem observar o todo, como crianças”…

Um dos grandes segredos de uma pessoa bem quista são os seus relacionamentos. Há quem diga que este não é um dos, ele é o mais importante, afinal de contas, uma pessoa assim é sempre um boa companhia, um papo agradável e desejada em muitas rodas.

Recentemente recebi um texto do amigo Osvaldo Schaukoski cujo título era o mesmo aí de cima: “Pessoa reativa x pessoa sensível”. O Schauk,como é conhecido o meu amigo, não é um destes internautas sem critério que despeja dezenas de e-mails para a sua lista só porque se “sensibilizou” com a mensagem e acha legal. Pelo contrário. Por isso aquele texto já havia me fisgado e ao chegar ao final estava satisfeito com a mensagem que, de acordo com ele, era anônima e que, agora, do meu jeito, repasso aos meus leitores.

De acordo com a mensagem, nenhum de nós pode escolher as coisas que nos acontecem, algumas boas, outras más. Até porque, atualmente, já não tenho tão claros os conceitos de “bem” e mal”. Segue o texto: Mas todos podemos escolher nossa resposta às coisas que nos acontecem. E o mais importante aprendizado é que nós não somos os prisioneiros das reações.

A mensagem enfatiza que algumas pessoas dizem que são muito “sensíveis”, que se magoam facilmente, que se decepcionam com amigos, colegas e família e com aquilo que outros dizem ou fazem. Será que tais pessoas, que se dizem “muito sensíveis” são realmente como dizem?

Pessoas sensíveis - por definição - são capazes de obter uma gama maior de informações sensoriais e emocionais vindas de outros e, portanto, geralmente são muito mais compreensivas, calmas e raramente se desapontam com os comportamentos alheios. Por quê? Exatamente porque sua sensibilidade aguçada mostra mais do que as aparências, evitando que se desapontem. Além disso, pessoas sensíveis jamais dizem que são sensíveis.

Aqui, uma pergunta assaz interessante: Então o que são aquelas pessoas que a todo momento se definem como sensíveis, que ficam deprimidas por razões aparentemente pequenas e cujos dias são destruídos por uma advertência do chefe, por uma crítica dos colegas, por uma frase mal construída de um membro da família, ou por que discutiu com o(a) namorado(a)? Elas não são sensíveis?

A princípio e sem fechar, pode-se dizer que a resposta é um sonoro “não”. Não, não são sensíveis. Pode-se dizer que tais pessoas são reativas - o contrário de sensíveis. Pessoas reativas não pensam. Ou melhor, pensam que pensam, quando somente reagem emocionalmente a qualquer coisa, sem refletir, sem controlar, sem observar o todo, como crianças. Na verdade são instintivas, ou seja, são guiadas pelo instinto.

Todos nós somos reativos, vez ou outra, mas conforme amadurecemos nos tornamos menos reativos e mais sensíveis, já que escolhemos nossas respostas. Quando somos crianças, simplesmente reagimos - o que é natural -, por isso, adultos reativos são, normalmente, acusados de um comportamento infantil e birrento.

Uma pessoa sensível e adulta, por obter mais informações que estão à sua volta, raramente perde o controle, mesmo quando atacada porque, sendo sensível, ela observa e escolhe a melhor resposta. Esta é a palavra: escolhe, opta, afinal de contas, viver é optar. Raramente reage, como um animal faminto faria. Você não tem o poder de escolher aquilo que te acontecerá hoje, amanhã ou depois. Mas você tem o poder de escolher a melhor resposta a tudo o que vai acontecer. Resposta não é reação. Reação é sinônimo de programa automático. Resposta é sinônimo de escolha. É claro que para isso é necessário um ser humano centrado, concentrado, inteiro, com auto-estima e consciente.

Está em nossas mãos, digo, em nossa consciência, sermos mais sensíveis em nossas vidas, evitando dizer a primeira coisa que vem à mente, mesmo que seja algo que queremos dizer pra nós mesmos. Vamos escolher melhor as palavras, os pensamentos, as respostas, fugindo da armadilha que torna as nossas vidas reativas sempre dependente de cada problema que acontece. E observemos aqueles que se dizem que são “sensíveis”, eles são nossos mestres. Olhemos o comportamento dessas pessoas.

Talvez vamos ver que elas são completamente dependentes dos humores de outros e dos acontecimentos externos. Elas simplesmente reagem por mais que racionalizem e se enganem, afirmando que suas reações são causadas por sua suposta sensibilidade. Sempre apresentarão razões para suas dores e tristezas, mas ainda assim estarão somente reagindo.

Cada um de nós tem o poder de escolher aquilo que é melhor. Nós podemos! Porque, como afirma o autor do Best Seller “Os sete hábitos das pessoas muito eficazes”, Stephen Covey: “Entre o que acontece comigo e minha reação ao que acontece comigo, há um espaço. Neste espaço está minha capacidade em escolher minhas respostas e definir meu destino”.

Quando recebi este texto do Schauk, eu poderia fazer uma infinidade de coisa, inclusive deletar. Mas, conscientemente, decidi reescrevê-lo e compartilhar com você, amigo leitor e amiga leitora que, também, poderá dar o encaminhamento que desejar, inclusive nem lê-lo.

9 Comentários a “Pessoa reativa versus pessoa sensível”


  • Eu também gosto muito de aventuras, mas uso a bicicleta para viajar.
    Uma pergunta esses livros estão disponíveis em Portugal?

  • Encontrei o amigo Maneca, professor inesquecível do curso de Direito, na rua, em frente à Caixa, e perguntei como vai a vida.
    Ele respondeu: “A vida? Vou vivendo, correndo risco e gostando.” Penso nela sempre.

  • Hehe, encontrei este post no google, procurando pelo meu nome.
    Bom saber que há quem leia meus emails…
    Abraços,

    Schauk

  • Olá, me chamo Robson, têm 19 anos de idade.

    Gostei bastante, por isso que resolve deixar o meu comentário. Eu posso deixar esse comentário dizendo: Eu sou sensível sim e com absoluta certeza.

  • Cláudia Azevedo

    Pessoas que falam mais do que houvem são totalmente reativas, acabei de me encontrar neste texto, falo muito e com isso observo pouco o que me faz ter reações que eu achava que eram de pura sensibilidade, mas agora entendo que são reações totalmente reativas. Sempre fui muito cobrada e desde pequena assumi muitas responsabilidades que deveriam ser dos meus pais, até então achava que tinha lidado bem e esta experiência tinha me tornado sensível ao contrário me tornou reativa. Obrigada por compartilhar o texto acima.

  • Vejam uma outra perspectiva!

    A Sensibilidade
    Por Alexandra Solnado

    O problema de uma pessoa extremamente sensível é que qualquer coisa a afecta. Uma pessoa com esta sensibilidade acaba por bloquear e endurecer. Quem é rijo não é quem é forte, não. É o oposto. Quem é rijo é quem teve que se endurecer, de tão sensível que é.

    As pessoas endurecidas, revoltadas, raivosas, que às vezes consideramos serem um monstro, são no fundo pessoas hiper-sensíveis, é exactamente o contrário. Só que elas próprias não aceitam a sua sensibilidade, já estão tão bloqueadas há tanto tempo, já deixaram de aceder à sua própria sensibilidade há tanto tempo, que elas próprias acham que não são nada sensíveis. Elas vivem completamente fora da sua energia original, no seu pólo oposto.

    O problema é que hoje em dia cortam-nos a possibilidade de sermos sensíveis. Desde que nascemos, que nos dizem “tens que ser forte”, “não podes deixar-te ir abaixo”…como se a pessoa não pudesse ser sensível e ir-se abaixo. E se ela for sensível e se for abaixo? Qual o problema? E se ela sentir as suas dores, as suas emoções? Qual o problema? Só quer dizer que ela está viva. O contrário é que é perigoso. Bloquear a sensibilidade é matar as emoções. É matar a vida dentro de si.

    Moral da história. Todos deveríamos fazer um trabalho sério de aceitar a nossa sensibilidade. Seja ela qual for. Mesmo que seja absurda. Todos deveríamos parar de vestir “escafandros” de protecção para não nos magoarmos, parar de nos endurecermos, parar de fugir de nos fragilizarmos.

    Só há vantagens em nos deixarmos sensibilizar. Porque quando nos deixamos sensibilizar, fragilizar, não só vamos voltar à nossa essência original, sensível, como através das mágoas que vamos sentindo vamos “partindo” essa dor, e deixando sair a densidade que vamos acumulando.

    É um caminho sofrido, dolorido mas essencial.
    É o caminho da luz.

    Bem haja a todos,

    Mendonça

  • Jorge Lopes Barbosa

    Gostei muito do tema, estou hoje buscando conhecimento neste tema, achei muito gratificante o que vocês publicaram, estou perguntando para mim se sou está pessoa.

  • Antes de ler essa matéria me classificava totalmente sensível,mas após preciso me observar mais.Gostei

  • Imaginem!!!! Eu passeava por aqui em busca de uma resposta sobre mim, num desses momentos em que nos sentimos muito solitários, justamente por acreditar que compreendemos tanto as pessoas (temos empatia) e nunca nos sentimos compreendidos. Foi aí que tive a idéia de tentar descobrir se eu era mesmo uma pessoa sensível ou não.

    Lí então os dois textos, o das “pessoas sensíveis X as reativas” do Shauk, e em seguida o texto de Alexandra Solnado, de uma outra perspectiva. Concordei com ambos, pois na verdade, o que ocorre é que há um grau de sensibilidade inata em cada um, sendo que existem as pessoas que sentem com profundidade o que lhe dizem,a como reagem a um favor sem reconhecimento e outras situações do gênero. Vou me explicar melhor: O fato é que, as pessoas extremamente sensíveis que demoram a esboçar reações e pensam em como darão “jeito” em situações a partir de suas respostas, sempre são agredidas pelos insensatos, pessoas que quando pedem ajuda aos “chamados sensíveis e escolhidos por estas”, não expressam nenhum tipo de gratidão, ao contrário, sempre desejam mais e mais e ainda difamam seu beneficiador. Após inúmeras vivências o “chamado sensível e centrado” começa a se perder em suas auto-críticas e julgamentos e começa a usar a palavra “NÃO” um tanto pervertidamente, revestindo-se de um aparente escudo de proteção para sí e sua família. Na verdade, as pessoas mais amadurecidas, perdoam até serem difamadas por pessoas pobres de espírito, que não se deram a chance de evoluir, é como se nessa hora, lembrassemos de JESUS, o mestre, quando diz ao Pai: “-Perdoa-lhes, não sabem o que fazem (ou dizem??)”. Em todo caso é nosso dever nos auto-avaliarmos a todo momento para não servirmos de ísca, aos maus-agoureiros.

    Eu, sempre reflito muito antes de reagir ou responder. Imaginem que um dia desses, uma linda garotinha (conhecida da família) entrou em minha casa enquanto todos meus filhos brincavam no quintal, ficamos juntas por alguns minutos, tempo suficiente para que eu me distraísse e ela fosse até meus “guardados” na cozima nha e retirasse de lá uma quantia em dinheiro e saísse para o quintal a “supostamente brincar”. O fato é que minha sensibilidade me levou a ir averiguar o póte de colocar dinheiro na cozinha, sem nem mesmo ter desconfiado dela (seria o sexto sentido???) Ao constatar a perda, pensei um pouco, pois sabia do que se tratava e de quem havia feito o “mau-feito”. Resolví então perguntar bem alto ao meu marido se ele teria pêgo o dinheiro. Ao que ele respondeu: “-Não!” Em seguida, retornei e esperei até que a garotinha entrasse rapidamente até a sala e deixasse a nota em frente à TV da sala, que ao ser deixada alí foi desabroxando lentamente. Fiquei perturbada com o fato e já não dormí aquela noite imaginando como falaria o caso à mãe das crianças, que mora próximo de casa. Na manhã seguinte, às 6:40 hs. a mãe deixa as crianças em minha casa para que eu as leve de carro até a escola e segue caminhando ao ponto de ônibus para ir ao trabalho (eu me oferecí a ajudar uma vez que percebí que essas crianças já haviam perdido muitas aulas pela impossibilidade da mãe em levá-las). Em meio minuto que me distanciei para ir ao banheiro, advinhem só??? Ela foi até os “guardados” e repetiu o delito. Ao deixá-las na escola e constatar que agora ela teria também um cúmplice, fiquei atônita e pensativa. Era meu dever alertar a mãe. Mas como???

    Acreditem ou não, fiquei exatamente um mês pensando na situação e avaliando a personalidade da mãe para saber como reagiria à minha fala. Decidi então reunir as três crianças no quintal e falar-lhes indiretamente sobre o assunto, tentando transmitir-lhes um pouco de bom senso. Mas nada!! Não se entregaram (sim, pois percebí que todas sabiam). Elas tem idades de 8, 9 e 11 anos. Eu disse-lhe que uma delas havia me deixado triste com uma atitude em minha casa e que eu não diria e seria como “professor em dia de prova”. De nada resolveu!!! Passados mais alguns dias, consegui falar com a mãe com muitíssima dificuldade, então ela chorou!!

    Pensem e digam-me se sou sensível ou reativa???

    Abraços a todos,

    VAL

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