… “Mais do que perceber que o tempo passa, é importante sentir que nós é que passamos”…
Agora que é verão, as coisas ficam mais claras e até mais fáceis de tocar; pra não aumentar o trocadilho, não vou dizer que ficam mais quentes. RRRRrrrrssss…. Na verdade, sinto que é mais didático falar dele nesta estação: refiro-me ao tempo.
Mas há tempo e tempo. Contudo, muitos de nós caminhamos na normose sem discernir um do outro. E assim, sem diferenciar o joio do trigo, estamos comprometendo a nossa própria existência pessoal, familiar e planetária. Afinal de contas tudo se transforma numa mesmice; e não é.
Pra mim e por hora, percebo que existe um clima frenético no verão, muitos tiram as roupas, mas o que se vê é um afastamento uns dos outros, ao contrário do inverno. Parece que no verão as pessoas estão próximas, mas não se encontram. Veja as multidões, mas o que há é uma grande solidão. É como se sentir solitário no Maracanã com quase 100 mil pessoas.
Uma das informações mais cobiçadas é se o tempo vai ser “bom” ou vai ser “ruim”, ou seja, com sol é bom e sem sol, seja nublado ou chuva, é ruim. Pior do que tempo bom e ruim, sem perguntar para as árvores, os agricultores e os lençóis freáticos, é a previsão do tempo. Olha que o nome já entrega tudo, pré, que é antes, e visão, que dispensa comentários. Parece que estamos cada vez mais entregues numa sociedade previsível; prevê-se gestos, falas, vida, prevê-se até o tempo.
De repente há pessoas que não saem de casa porque a pré-visão é de chuva. Quantos temporais vieram e não foram previstos? Quantos foram previstos e não vieram? Deste jeito, estamos ficando míopes em relação ao verdadeiro tempo, ao que realmente é.
Também nesta correria da vida pra muitos, encontro os que dizem que o tempo está correndo rápido demais. Em janeiro já tem gente sorteando o amigo secreto do final de ano porque logo logo os sinos de natal batem anunciando uma noite feliz. Será que o tempo que passa ou somos nós é que passamos?
Para os gregos antigos, o tempo era dividido em dois, “cairos” e “cronos”. Este, o cronos, fica fácil de concluir, afinal de contas de onde vem o cronômetro? Correto! Do tempo decorrido, pode-se dizer do relógio mesmo. Quanto tempo eu levo de Criciúma a Florianópolis? Depende, é claro. Se for agora com as obras da duplicação é um tempo, se for depois da finalização da pavimentação asfáltica é outro. Enfim, há um espaço decorrido entre uma ação e outra; isto é o cronos.
Aqui no Cronos, o que fazemos é nos concentrar no fim urgente do que estamos fazendo no agora, deixando de viver cada momento, cada instante. Naquela viagem para a capital do Estado, por exemplo, nada acontece da garagem da nossa casa até chegar no destino. Eis a causa que o tempo está passando rápido, porque estamos sempre no futuro, pouco tempo no presente. Na verdade, vivemos somente 5% do tempo no presente; 85% com expectativa do futuro e 20% com tristeza do passado. Que tempo é este?
Já o cairos vem de um tempo de cada um, de um tempo interno, talvez até do tempo da natureza. Cada um é um indivíduo com suas características. Uma árvore leva cerca de 8 a 10 anos para crescer, florir e dar frutos. Há os jovens que a barba vem mais cedo, outros mais tarde; há as jovens que menstruam aos 11 a aquelas aos 15, 16 anos, ou seja, todos temos o nosso momento e querer padronizar algo intangível é forçar a natureza, é forçar a vida.
Por isso, mais do que perceber que o tempo passa, é mais importante sentir que nós é que passamos. Pelo cronos, que é o tempo decorrido de um lugar ou uma ação a outra, vivenciamos o cairos, que é a intensidade do aqui e do agora no despertar de cada um. Que nossas vidas sejam intensas e que aproveitemos nosso tempo. Afinal de contas, no dizer do Millor, “quem mata o tempo deveria ir preso”.
Estas são algumas das minhas idéias que penso e procuro agir neste momento, amanhã posso mudar. Não desejo que você concorde ou discorde, só gostaria que você procurasse me entender.
Quero parabenizá-los Manoel Mendes e Beto Colombo, voces são incriveis. Lí os livros: O buscador e o Caminho de Santiago de Compostela, e adorei cada página, pois retratava as lutas diárias para se alcançar o objetivo proposto.
Parabéns e quando fizer uma nova caminhada e escrever outros livros gostaria de lê-los.
abraços
Alcemir Alexandre
Bom dia Manoel!
Já comecei a leitura deste livro seu “O buscador” ainda no inicio, mas já senti que deve ser um ótimo livro também, de aventura e conhecimento.
Realmente vai ser mais um livro de devo gostar muito, pois tb é do meu estilo.
Agradeço tb pelas suas palavras, muito obrigado.
fraterno abraço
Alcemir