“Compostela” na coluna do Luiz Carlos Prates (DC)

Confira abaixo a nota intutulada “O Caminho” do jornalista e psicólogo, Luiz Carlos Prates, em sua coluna no jornal Diário Catarinense, datada do dia 14 de outubro, página 2.

O Caminho

Dois amigos me deram um livro e ao abri-lo, já na primeira página, achei um parágrafo que me fez pensar. Sou capaz de apostar que fará também a leitora, o leitor, pensar. Antes de dizer desse parágrafo, preciso dizer que vivemos nos queixando da rotina, da mesmice de sair da cama pela manhã com o mesmo roteiro de uma enfadonha novela para “representar”. Todos os dias, às mesmas horas, as mesmas coisas, do mesmo modo, sempre, sempre e sempre. Os breves intervalos de lazer não são intervalos de lazer, são enganos. Só acordamos quando saímos da rotina. Mas cuidado, sair da rotina só vale a pena quando é para alguma coisa boa, entusiasmante, que nos faça respirar mais rápido, esfregar as mãos e viver… Sair da rotina por outras razões não costuma ser bom, as coisas ruins também nos quebram a rotina. Esqueçamos essas saídas da rotina, fiquemos com as boas, tão raras, tão escassas, tão fugidias de nossas mãos…

Ao livro. Os dois amigos de quem falei são o Beto Colombo e o Manoel Mendes, ambos de Criciúma, o primeiro empresário e o segundo jornalista. Os dois fizeram o Caminho de Santiago de Compostela. Fizeram o caminho e na volta escreveram o livro Compostela – muito além do Caminho de Santiago. Um livro rico, cheio de fotos, mapas, curiosidades, um despertador de apetite para quem já pensou em sair da rotina e meter-se pela meditação do Caminho.

Logo ao início do livro, o Manoel Mendes escreveu assim: “Talvez eu caminhe para encontrar mais razões sinceras de viver. Talvez eu busque um sentido diferente daquele que o sistema impõe desde a tenra idade: nascer, crescer, trabalhar, acumular, ter e morrer”.

Maneca, que horror, tens razão. Costumamos viver assim, conjugando esses verbos tristes: nascer, crescer, trabalhar, acumular, ter e morrer. Falta um verbo nessa floresta de sofrimentos, falta o verbo viver. Esse verbo tem irmão gêmeo, cujo nome pode fazer algumas pessoas constrangidas: gozar. Nascer e caminhar reto para o morrer é estulto. Mas é como a maioria vive. Gente que faz o que pode para acumular, ter, e esquece de viver. E não estou falando em viver de modo orgíaco, sem responsabilidades. Falo do viver e do conviver com prazeres. Sem pecados nem culpas. Andamos vivendo para cumprir um roteiro social, a justificar expectativas. Vivemos a rotina do ter. Só acordamos quando a vida nos empurra da escada… É sábio que acordemos antes. Acordar para gozar, para viver. Há também um Caminho de Santiago dentro de todos nós. É achá-lo. E ser feliz. Gozar.

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3 respostas a “Compostela” na coluna do Luiz Carlos Prates (DC)

  1. July Eyng disse:

    OlÁ¡ Estava lendo a coluna do Prates de hoje (14/10) e ele mencionou seu nome e do Manoel Mendes, sobre o livro que vocês deram para ele: Compostela – muito além do Caminho de Santiago. Gostei muito da descrição dele e etão coloquei no meu fotolog como dica de leitura e gostaria de saber valores e ao mesmo tempo PARABENIZÁ-LO, já li algumas coisas que você escreveu e gosto muito. Profissionais assim, são raros. Muito sucesso em sua vida, sempre. Abraços.
    Juliana

  2. Inácio Tenfen disse:

    Oi, Manoel!
    Terminei, ainda a pouco, de ler teu livro “Muito Além…”. Mais uma vez refiz o Caminho, encantando-me com as paisagens em fotos e passagens de vocês ao longo do percurso. Cada um a sua maneira, vocês e eu, fizemos nosso mergulho interior e saímos renovados.
    Da mesma forma, descrevemos de modo diverso nossos livros, mas, em ambos os casos, ganha o leitor, pois apresentamos a ele diferentes formas de conhecer o Caminho-rio. Parabéns! O livro é encantador, produzido com muito cuidado e, creio, com carinho pelo leitor.
    No entanto, como dizes no final: “A gente se encontra no caminho”. Também eu andei pelos caminhos do auto-conhecimento, na busca de mim mesmo (lembra do poema que abre meu livro? “Desde que nasci, saí a minha procura…”). E nessas andanças, vivemos algumas experiências comuns. Por um ano fui repórter-redador e por mais dois, articulista freelance, enquanto estudava Psicologia.
    Participei de vários programas de auto-conhecimento e de desenvolvimento interior: Avatar, Namastê, Grupos de Aprendizagem Vivencial, Terapias (individuais e grupais), Yoga, Biodança e… Formação Básica da UNIPAZ. Também fiz a Trilha Inca, orientado por um xamã e antropólogo quíchua – Jayme Arevalo – e por Eduardo Shinyashiki, com direito a reverenciar os quatro elementos (inclusive com caminhada sobre o fogo). Também eu fiz duas vezes o Caminho (Francês e Via de La Plata) e escrevi livros sobre minhas vivências. Vamos chamar a isto coincidência? Sincronicidade? Ou, quem sabe, num outro plano a gente já se encontrou no caminho?
    Um afetuoso abraço peregrino!
    Inácio

  3. jose disse:

    prezado Luiz Carlos Prates

    Li certa vez que você de vez em quando – pergunta sobre o objetivo da vida!!! Por que estamos aqui? De onde viemos? e Para onde vamos? Será que a vida é so viver setenta ou no màximo 8O ou 100 anos e depois morrer!!! e se morremos para onde vamos? para o céu,purgatorio ou inferno? – Supreendentemente descobri isso e muito mais – e gostaria de compartilhar-lo com você?
    Mandarei algumas literaturas q respomde isso – seria bom acreditar até mesmo como terapia!!!!!

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